Hugo Delgado / Lusa

Ricardo Mexia, presidente da Associação de Médicos da Saúde Pública, disse, em entrevista à Renascença, que, em breve, Portugal estará a registar mais de dois mil casos por dia e admite mesmo um novo confinamento.

Em entrevista à Renascença, Ricardo Mexia, presidente da Associação de Médicos da Saúde Pública, diss que a “tendência” aponta para a possibilidade de, em breve, Portugal registar mais de dois mil casos por dia.

“Estamos bastante apreensivos com este contínuo aumento, principalmente com a dificuldade que as unidades estão a ter em conseguir todas as tarefas”, lamentou, acrescentanto que os médicos de saúde pública estão preocupados com a “inexistência de reforços”.

Ricardo Media admitiu mesmo à Renascença a necessidade de um novo confinamento: “Se não houver uma mudança de abordagem, não vejo muitas alternativas. Se não tivermos a capacidade de acolher os doentes, não percebo como podemos controlar a situação”, disse.

Para o responsável, Portugal está as condições de combate à pandemia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) idênticas às de março. “O que era preciso ter feito era planear a resposta e dotar o país dessa capacidade. Chegamos agora a outubro e não estamos muito diferentes do que estávamos em março“, assegurou. “Os serviços não foram reforçados, o sistema de informação não melhorou. Não percebo qual é a estratégia”.

“Sinceramente, se a situação continuar a evoluir de forma negativa e atingirmos o limite de resposta de tratamento e começarmos a acumular mortalidade, se não há investimento, se não há recursos a montante para evitar que as pessoas adoeçam, eu não percebo qual é a solução alternativa” a um novo confinamento, confessou à Renascença.

Segundo o médico, vários hospitais já esgotaram a capacidade de internamento e, se a pressão nos internamentos continuar, o país pode ter de tomar medidas mais drásticas.

O primeiro-ministro António Costa frisou no fim de semana passado, um dos piores dias desde que a pandemia começou a alastrar em Portugal, que o país não pode confinar nem voltar ao confinamento realizado em março – posição que tem mantido nos últimos meses.

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