Das 950 vagas que foram abertas em setembro, para médicos recém-especialistas para o Serviço Nacional de Saúde, apenas 593 (62,4%) resultaram em contratos efetivos. Também na medicina geral e familiar, mais de um quarto das 435 vagas ficaram por preencher.
O Governo lançou em setembro um concurso para contratar médicos recém-especialistas para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), porém mais de um terço dos quase mil lugares abertos ficaram por preencher, avança o Público.
Segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), das 950 vagas que foram abertas em setembro, só 593 (62,4%) resultaram em contratos efetivos. Ou seja, mais de um terço (37,6%) ficaram por ocupar.
Apesar de ligeiramente melhor, na área de medicina geral e familiar o cenário não é mais animador. Das 435 vagas para contratar jovens médicos, 120 não resultaram em contratos assinados (27,6%).
Tudo junto, das 1385 vagas abertas resultaram apenas 908 contratos efetivos, ou seja, um terço dos lugares ficou por preencher.
Perante este cenário (que não é uma novidade), nos últimos anos têm sido disponibilizadas mais postos de trabalho do que médicos recém formados, no entanto, tendo em conta os números, a medida não está a ter o impacto desejado.
“Verificou-se um total de 611 médicos colocados, resultando em 593 contratos efetivos, nuns casos por recusa do colocado em proceder à assinatura de contrato, noutros, em especial, pelo diferimento do início de funções para data em que termine o gozo de licença parental”, explica a ACSS, ao Público.
Para o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, esta falta de interesse
pelo SNS não é de agora e deve-se a vários fatores. “Há 5% dos recém-especialistas contratados que acabam por sair do SNS durante o período experimental ou porque arranjaram outro trabalho ou porque não se adaptaram”, diz Jorge Roque da Cunha, que refere ainda que muitos médicos “não têm as condições mínimas”.O presidente da Federação Nacional dos Médicos, Noel Carrilho, concorda com esta visão e lamenta o enfraquecimento do SNS. “Estamos a deixar escapar médicos num momento em que precisamos deles mais do que nunca”, refere.
Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, sublinha as vagas que ficaram por preencher na sua área e fala em “perda significativa”. O médico diz que “a capacidade de atração do SNS não é suficiente para fixar jovens médicos, sobretudo nas especialidades em que há possibilidade de atividade privada mais rentável”.
O especialista defende que deverão ser implementadas medidas que encorajem os médicos portugueses a quererem trabalhar com o SNS, tais como “condições de trabalho ótimas, unidades de saúde estruturadas, com boas condições físicas e sem equipas desfalcadas. Não é só abrir vagas, é preciso investir nas unidades de saúde”, destaca.
[sc name=”assina” by=”Ana Moura, ZAP” ]