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António Alvim denunciou o caso em entrevista à Renascença
O médico António Alvim, que denunciou que há clínicos de Unidades de Saúde Familiar que recebem mais dinheiro para fazerem serviços que, na verdade, não prestam, foi alvo de uma tentativa de expulsão.
António Alvim, que é militante do PSD, denunciou que há médicos das Unidades de Saúde Familiar (USF) de modelo B a receberem suplementos adicionais no salário como se fizessem 40 horas de trabalho semanais quando, na prática, cumprem apenas 35 horas.
Estes médicos recebem quase 1.800 euros para garantirem o atendimento de mais doentes, mas não cumprem os requisitos de extensão do tempo de trabalho previstos. Um cenário que se verificará em várias USF de Lisboa e, designadamente, na USF Rodrigues Miguéis, em Benfica, onde António Alvim trabalha.
O médico denunciou o caso em entrevista à Renascença após o que terá sido alvo de uma tentativa de expulsão da USF onde trabalha, conta o Jornal Económico.
Numa nota interna a que o jornal teve acesso, Paulo Eiras, coordenador da USF Rodrigues Miguéis, justifica a intenção de expulsar o médico com os prejuízos causados pelas suas declarações ofensivas da imagem e ao bom nome da entidade e dos seus profissionais. Também o acusa de veicular “informações falsas sobre o desempenho dos colegas” e de criar mau ambiente no seio da unidade.
Na votação para a expulsão, 12 elementos do conselho geral da USF votaram favoravelmente e oito contra. Mas para confirmar a expulsão seria necessária “uma maioria qualificada de dois terços, o que não aconteceu”, frisa o Económico.
“Ganha mais do que o primeiro-ministro”
Num artigo de opinião no site Saúde Online, António Alvim lamenta que foi alvo de uma “tentativa de saneamento”, e acusa o coordenador da USF de o pretender expulsar por “suposto delito de opinião
, sem o assunto ter sido posto previamente à discussão, sem direito a contraditório, e sem sequer ter sido ouvido”.O médico volta a abordar, neste artigo, as denúncias que fez, salientando que há médicos a ganharem 7.000 euros mensais ilíquidos, “mais do dobro do que os seus colegas que com a mesma categoria e o mesmo número de utentes também acumulam as funções de orientadores de internato e fazem domicílios, mas que estão em USF do Modelo A ou em Unidades de Cuidados de Saúde Primários, no regime de 40 horas semanais”, cita o Económico.
Alvim fala também do caso concreto do coordenador da USF, notando que Paulo Eiras “ganha ilíquidos mais do que 7.000 euros, ganha mais do que o primeiro-ministro“, com “três tardes livres” e apenas 28 horas de consultas por semana, mais três horas para Gestão Clínica.
“No total, trata-se de um horário de 35 horas por semana, sendo que duas delas estão alocadas a domicílios que o Estado – utentes/contribuintes – pagam à parte, pelo que estão a ser pagas duas vezes“, conclui.
A Renascença contactou a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, que não comenta o caso, anunciando que está já a decorrer uma auditoria para averiguar a situação.
[sc name=”assina” by=”SV, ZAP”]
Neste País pretensamente democrático, quem denuncia corajosamente os lobbys , em vez de de ser enaltecido , é perseguido , humilhado, quiçá ameaçado .
Há uns anos denunciei a uma Câmara do Algarve irregularidades de um projecto, que posteriormente descobri estarem técnicos da autarquia envolvidos no esquema.
Resultado, fui obrigado a vender a minha casa pelas pressões e perseguições recebidas