Antoninho Perri / Unicamp
As notas dos exames nacionais de quase todas as disciplinas subiram este ano. Como tal, as médias de acesso ao ensino superior da generalidade dos cursos vão ser mais altas.
Os resultados dos exames foram conhecidos esta segunda-feira e, regra geral, registou-se uma subida de notas em quase todas as disciplinas. Em algumas das matérias mais concorridas, as médias aumentaram mais de três valores, escreve o jornal Público.
O presidente da comissão nacional de acesso, João Guerreiro, garante que os resultados não vão fazer com que a corrida às vagas universitárias seja injusta. “Os alunos ficaram todos na mesma situação”, assegura em declarações ao matutino.
“O que os exames nacionais fazem é uma seriação do conjunto dos estudantes. Se as médias aumentaram, é sinal de que as notas aumentaram para quase todos os estudantes”, explicou João Guerreiro.
Perante esta situação, só porque a média de um aluno subiu dois ou três valores, não quer dizer que ele tenha o seu lugar garantido, uma vez que a média dos concorrentes diretos também subiu. Como o aumento dos resultados parece ter sido transversal, não haverá grandes alterações na perspetiva de acesso dos alunos.
O Público realça que nos casos de melhoria de nota, os alunos ganham uma certa vantagem. Por exemplo, um ano que, insatisfeito com a nota de exame do ano passado, tenha repetido a prova este ano, estará em melhores condições de entrar num curso exigente do que um colega que tenha ficado satisfeito com o resultado do ano passado.
O concurso de acesso ao ensino superior abre esta sexta-feira e estão disponíveis 51.408 lugares, o valor mais elevado dos últimos sete anos.
De todas as disciplinas de exame, apenas Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) baixou a média de resultados (-1,5) para 9,5. Em Biologia e Geologia a média é de 14 valores (+3,3). Também em Geografia A, Filosofia e História A, os aumentos da média foram iguais ou superiores a três valores, comparativamente com o ano passado.
A média de Geografia A aumentou 3,3 para 13,6; a média de Filosofia chegou aos 13, aumentando 3,2; e a média de História A aumentou três valores, chegando aos 13,4.
Em Matemática A, o aumento foi de 1,8 valores, chegando a uma média de 13,3. Por fim, o aumento mais baixo foi no exame de Português, cuja média subiu apenas 0,2 valores, atingindo uma média de 12 valores.
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A estupidez de quem decidiu inflacionar as notas é que não percebe que nada altera. Quanto muito faz com que alunos que trabalharam todos os anos de estudos para serem os melhores, com médias de 18, tenham de competir com alunos que trabalharam muito menos e que, normalmente teriam notas de 16. Todos têm mérito, mas o essencial é que isto nada resolve. Quando estes senhores (e senhoras) quiserem resolver coisas efetivamente, confrontem a ordem dos médicos e abram vagas, no público ou no privado. Isso sim, levará a alunos a aspirarem uma carreira na medicina, que de outra forma nunca poderiam ambicionar, ou, cuja a ambição estaria reservada aos verdadeiramente ricos que conseguem suportar os filhos numa universidade estrangeira, num país estrangeiro.
isto não é um problema de maiorias, mas é um problema que afeta maiorias pela falta de profissinais competentes e pelo preço que teremos de pagar aos poucos que venham a integrar o nosso sistema de saúde.