A ex-relações públicas Ana Alice Simões Pereira avançou com uma queixa-crime contra Mamadou Ba, dirigente da SOS Racismo e ex-assessor do Bloco de Esquerda, acusando-o de incitação ao ódio e à violência. Em causa está a polémica declaração de que é preciso “matar o homem branco”.
As declarações feitas por Mamadou Ba durante uma conferência online, no canal do YouTube Pensar Africanamente, no passado dia 21 de Novembro continuam a ter repercussões.
“Temos é que matar o homem branco como sugeria o Fanon [filósofo francês]. O homem branco que nos trouxe até aqui tem de ser morto. Para evitarmos a morte social do sujeito político negro é preciso matar o homem branco, assassino, colonial e racista“, considerou Mamadou Ba na dita conferência intitulada “Racismo e avanço do discurso de ódio no mundo”.
O ex-assessor do Bloco de Esquerda (BE) citou o nome do filósofo francês Frantz Fanon que influenciou mentalidades no Século XX em torno de temas como a descolonização e a colonização.
Para a cidadã Ana Alice Simões Pereira, de 57 anos, as palavras de Mamadou Ba merecem uma queixa-crime, conforme revela na edição impressa do jornal Sol.
Esta ex-relações públicas que será militante do PS apresenta cinco testemunhas na queixa que apresentou no passado dia 3 de Dezembro, conforme sustenta no semanário.
“A comunidade negra não existe”, diz ainda na publicação, considerando que “há negros de classe alta, média e baixa, tal como existem brancos dessas mesmas classes”.
“Assim como as pessoas do interior e das periferias de Lisboa podem dizer que têm problemas, os negros e os brancos podem afirmar o mesmo“, acrescenta, salientando que “todos nós, consoante o grupo social em que nos inserimos, temos problemas específicos”.
Mamadou Ba fala em “campanha de linchamento público”
Manadou Ba alegou que as suas declarações foram uma espécie de metáfora simbólica e que foram descontextualizadas depois de ter sido até acusado de racismo.
Em declarações ao jornal i alegou que “se não fosse grave a acusação de incitamento ao ódio, seria bastante cómica“, apontando que só quis dizer que “não há forma de combater o racismo sem acabar com a ideia de supremacia branca“.
As declarações de Mamadou Ba podem ser ouvidas no vídeo que se segue no devido contexto, com a exibição completa da conferência.
Comentando as palavras do ex-assessor do Bloco, o jornalista Henrique Raposo apontou, num artigo de opinião no Expresso, que “Franz Fanon não fazia metáforas”.
“Fanon esboçou um plano revolucionário aplicado às raças – e não às classes – que tinha esta linha: é necessário invadir e matar o “homem branco”, tal como antes se matou o “burguês””, destacou ainda, concluindo que o filósofo “é uma das inspirações dos radicais islamitas que matam europeus há décadas”.
Henrique Raposo admitiu, contudo, no mesmo texto que Mamadou Ba pode não ter lido Franz Fanon e estar “só a brincar aos tweet”. “Mas brincar assim é um pedacinho inconsequente e perigoso“, notou, questionando por fim se “é só perigoso quando são os trumpistas a brincar às “metáforas”?”
Num outro artigo de opinião agora publicado pelo Expresso, Mamadou Ba lamenta que “toda esta polémica foi uma cretinice ideológica e uma grosseira manipulação política”.
O activista fala da “patologia colectiva do racismo” e de uma “campanha de linchamento público” contra si, apelando a que, “em vez de manobras de distração e cinismo político” se enfrente “com coragem o racismo”.
“O anti-racismo intransigente é o único antídoto democrático contra o veneno do desejo de fascismo que paira no ar”, considera ainda no mesmo texto.
Também o Chega se insurgiu contra Mamadou Ba, classificando as suas declarações como “discurso de ódio” e chegou a perguntar se não se deveria “ilegalizar o SOS Racismo e perseguir Mamadou Ba” ou “ilegalizar o BE e perseguir Catarina Martins por o ter trazido para a cena política portuguesa”, numa comparação com argumentos utilizados contra o partido de André Ventura.
Entretanto, foi criada uma petição pública assinada por mais de 16 mil pessoas que pedia a instauração de uma queixa-crime contra o activista da SOS Racismo por “crime de discurso de incentivo ao ódio“.
Em Maio de 2019, Mamadou Ba foi alvo de outra queixa-crime apresentada pelo Sindicato da PSP depois de ter falado da “bosta da bófia”.
Já em Agosto deste ano foi alvo de ameaças de morte e chegou a ser acusado de ser o responsável moral pela vandalização da estátua do Padre António Vieira, em Lisboa, depois de publicações que fez nas redes sociais.
Mamadou Ba deixou o BE em Novembro de 2019 “em profunda divergência” com o partido, “no rescaldo dos acontecimentos do bairro Jamaica, como explicou.
“O que renego não é o projecto que deu origem ao Bloco, mas o que o partido se tornou ao longo do tempo”, disse o dirigente da SOS Racismo que estava ligado ao BE desde a sua fundação.
Mamadou Ba chegou a Portugal em 1997 com uma Licenciatura no Senegal, em Língua e Cultura Portuguesa, e com uma bolsa do Instituto Camões para fazer o mestrado na área.
Trabalhou nas obras de construção da Expo 98 e só obteve a nacionalidade portuguesa depois de viver há mais de uma década em Portugal, após se ter tornado assessor do Bloco na Assembleia Municipal de Lisboa (AML).
O activista contou à revista Sábado que foi Paula Teixeira da Cruz, enquanto ministra da Justiça, que assinou o seu pedido de nacionalidade depois de terem trabalhado juntos na AML. “Porque eu tinha direito à nacionalidade, não era nenhum favor que a ministra fazia”, apontou.
[sc name=”assina” by=”Susana Valente, ZAP”]
Este "senhor" Mamadou, como os seus comparsas, nao passa de um racista e proto-nazi, disfarcado de "intelectual", mas que demonstra ser uma fraude "academica". O Frantz Fanon nao tem nada a ver com este discurso.
O que Fanon disse, foi que "O negro Nao existe, tal como Nao existe o "homem branco" ". Fanon sempre recusou cair na armadilha do racismo de sinal contrario, e defendia que a Humanidade deixasse de usar a cor como referencial social, por isso ser um construto artificioso e nocivo. Esse construto e' que era preciso recusar.
Por isso, se alguma vez o Fanon escrevesse que era preciso "matar" o "branco", seria na mesma frase que diria que era preciso "matar" o "negro", pois que "matar" teria o sentido de matar o conceito de negro e branco.
Ao contrario deste proto-nazi, que demonstra ser um supremacista negro, na escola do Malcom X, que dizia abertamente que "o negro e' superior ao branco", mas que, ao contrario de Malcolm X, tem tanto odio que ate' quer MATAR os "brancos", disfarcando-se cobardemente atras de "metaforas" que fraudulentamente atribui a Fanon - que nao podia estar mais longe deste discurso Mamadus e cia.
Mas e' triste ver que a esquerda de hoje, seja por vazio ideologico e ignorancia, seja por cobardia, seja porque foi capturada ideologicamente por este lixo corporativo-nazi disfarcado de "esquerda", fica calada, e tem de ser um cidadao "comum", a por estes racistas na ordem. EU APOIO A QUEIXA DA CIDADA CONTRA O INCITAMENTO RACISTA A VIOLENCIA, pois foi exactamente o que este "senhor" fez.
De resto, se ouvirem a conferencia, antes uma menina diz que nao e' toleravel fazer afrmacoes racistas e dpeois dizer que era brincadeira, que nao era serio - ou seja, nao vale vir agora dizer que era "metafora". Pois agora, comam da mesma biblia que pregam.
Senhores SOS-RACISTA, tirem as vossas patas racistas do Frantz Fanon.