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O ex-presidente da República e ex-líder do PS, Mário Soares

O antigo Presidente da República mantém-se em situação crítica e com prognóstico reservado, mas teve “uma discreta melhoria do estado de consciência” e já reage a estímulos, informou o Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

“O Hospital da Cruz Vermelha informa que o doutor Mário Soares se mantém em situação crítica e com prognóstico reservado”, disse aos jornalistas o porta-voz do Hospital da Cruz Vermelha, José Barata.

Segundo o primeiro boletim clínico do dia, “o estado de saúde do doutor Mário Soares manteve-se estável durante a noite, sem significativa alteração dos sinais vitais e com uma discreta melhoria do estado de consciência”.

Questionado pelos jornalistas sobre o que significava esta melhoria do estado de consciência, José Barata explicou que o ex-Presidente, de 92 anos, “está inconsciente, mas reage a estímulos“.

“O doutor Mário Soares mantém-se internado nos Cuidados Intensivos do Hospital da Cruz Vermelha sob permanente vigilância por parte da equipa clínica multidisciplinar que o acompanha”, referiu ainda a mesma fonte.

Sobre o que terá motivado o internamento, na madrugada desta terça-feira, o porta-voz disse apenas que o antigo chefe de Estado se sentiu indisposto, não avançando os motivos.

Esta terça-feira, Eduardo Barroso, médico e sobrinho de Mário Soares, explicou aos jornalistas que o estado de saúde do fundador do PS já se tinha agravado há algum tempo.

“São 92 anos de um homem que já estava fragilizado, que ficou muito mais fragilizado depois da encefalite e ainda mais depois de ter perdido a sua mulher”, disse à saída do hospital.

No mesmo dia, Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha acabado de regressar de Nova Iorque para assistir à tomada de posse de António Guterres como novo secretário-geral da ONU, seguiu diretamente para o Hospital da Cruz Vermelha.

Visitas emocionadas

Freitas do Amaral esteve esta manhã no Hospital da Cruz Vermelha, de onde saiu visivelmente emocionado.

“Temos de aguardar com muita paciência, respeito e, no meu caso, amizade”, começou por dizer aos jornalistas.

“Se puder recuperar, espero que recupere o mais depressa possível. Se não puder, que não sofra. (…) Sabemos que a nossa hora tem de chegar, mas espero que não seja esta”, declarou o centrista.

O político, com a voz trémula, recordou ainda a grande amizade que tem com o histórico socialista.

“Quando tantas outras pessoas mais próximas me evitavam e algumas até me chamavam fascista, ele acreditou sempre em mim. Apesar de termos tido as nossas divergências, a amizade e a admiração é superior a tudo isso”, concluiu.

ZAP / Lusa