Rodrigo Antunes / Lusa

O presidente da Nova Ordem Social, Mário Machado

O líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social (NOS), Mário Machado, disse este sábado que “é um alvo abater”, acusando aqueles que tentaram boicotar a organização do congresso de grupos extremistas em Lisboa.

Mário Machado falava durante uma conferência com representantes de seis partidos e movimentos europeus de extrema-direita, numa unidade hoteleira em Lisboa.

“Nós somos um alvo a abater, temos consciência disso”, afirmou o dirigente, enquanto lembrava que a NOS foi a única organização política a ser expulsa do Facebook.

Para o líder da Nova Ordem Social, o Grupo Altis tentou ainda manter o congresso “de uma forma ardilosa durante 15 dias, para o depois cancelar” um dia antes. A iniciativa estava marcada para o hotel Altis, em Belém, segundo a organização.

O evento intitulado de “conferência nacionalista” contou com a presença de seis partidos e movimentos europeus de extrema direita: Mário Machado, Josele Sánchez (Espanha), Blagovest Asenov (Bulgária), Francesca Rizzi (Itália), Mattias Deyda (Alemanha), Yvan Benedetti (França). Adrianna Gasiorek (Polónia), que tinha presença confirmada, não compareceu no congresso.

Com cerca de 70 pessoas, a conferência de movimentos de extrema-direita teve como objetivo trocar ideias sobre o futuro da Europa e combater a corrupção.

O encontro motivou ainda uma contramanifestação, promovida por grupos antifascistas, que se realizou, esta tarde, no centro da cidade de Lisboa. Em protesto, um total de 65 organizações antifascistas, 28 portuguesas e 37 estrangeiras, subscreveram um manifesto contra a “conferência nacionalista” e lançaram uma petição pública eletrónica apelando à proibição da iniciativa.

A concentração fez-se na Praça Luís de Camões, por volta das 14h30, mas a manifestação começou algum tempo antes, no Largo do Rossio, pelas 13:00, sendo que entre um sítio e outro estiveram presentes mais de duas mil pessoas, segundo a organização.

Na Praça Luís de Camões, mesmo no coração de Lisboa, ouviram-se gritos de ordem contra o líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, Mário Machado, contra o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo que eram visíveis cartazes com frases como “25 de Abril Sempre! Fascismo Nunca Mais!”, “Não Passarão” ou “Os imigrantes ficam, saiam vocês”.

“Não queremos nazis nas nossas vidas. Isto parece uma doença que se está a espalhar, temos que mostrar [as nossas posições] (…) Já vivi a ditadura, foi mau que baste!”, disse Helena Abreu, reformada de 74 anos, em declarações ao jornal Público.

PAN e PCP repudiam conferência

Em comunicado, o PAN repudiou a realização da conferência nacionalista em Lisboa, descrevendo-a como um evento de “organizações de extrema-direita da Europa”.

“O PAN vem por este meio mostrar o seu repúdio” e “reafirmar a rejeição de todo e qualquer tipo de discriminação e intolerância“, lê-se, que remete para os estatutos do partido e um dos objetivos: “erradicar todas as formas de discriminação humana'”.

Segundo o PAN, “a história mostrou as graves consequências de enormes proporções que a apatia ou a indiferença relativamente a esse tipo de ameaças e posicionamentos ideológicos podem ter”.

Na mesma nota, os responsáveis do PAN prometem continuar “a trabalhar por uma sociedade que pugne pela garantia e proteção dos direitos humanos de todas as pessoas, independentemente da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual’, como estabelece o 13.º artigo da Constituição da República Portuguesa”.

Também os comunistas repudiaram a iniciativa, considerando-a uma “ofensa”. “O PCP repudia a realização em Portugal de uma denominada conferência nacionalista, anunciada para o próximo dia 10 de agosto. A realização de tal evento, no ano em que se comemoram os 45 anos da Revolução de Abril, é uma ofensa aos que durante décadas se bateram pela liberdade e a democracia e em vários casos, nomeadamente militantes comunistas, pagaram com a própria vida”, lê-se no texto.

Os comunistas sublinham ainda “os valores progressistas constantes na Constituição da República, de rejeição do racismo e xenofobia e de estruturas que perfilhem a ideologia fascista”. Entretanto, também o Bloco de Esquerda e o Livre se posicionaram contra a conferência internacional organizada pelo movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, apelando às autoridades para atuarem no sentido de o evento não ter lugar.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]