José Coelho / Lusa

O Presidente da República afirmou, esta sexta-feira, que está confiante de que o Orçamento do Estado 2021 vai ser aprovado à esquerda, mas, caso isso não aconteça, espera que seja o PSD a viabilizar o documento.

“Estou confiante. Não me passa pela cabeça que seja chumbado o Orçamento. Eu, como líder da oposição, por muito menos do que isso viabilizei três Orçamentos do primeiro-ministro António Guterres, com parte do meu partido subelevado, a não gostar nada, com parte do eleitorado a protestar”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Faro, no Algarve, citado pelo jornal online Observador.

Questionado sobre se estaria a dar um conselho ao líder do PSD, Rui Rio, o Presidente da República disse que não, dizendo que é apenas uma questão de “bom senso meridiano”.

O chefe de Estado recordou que “estamos perante uma situação que é grave na pandemia e grave na crise económica e social” e que Portugal está em vésperas de receber os fundos europeus e de assumir a presidência da União Europeia.

“É nessa altura que se provoca uma crise política? Ainda para mais quando o Presidente nem pode dissolver a Assembleia da República, e o novo Presidente só volta a ter esse poder em março ou abril do ano seguinte.”

“Custa muito viabilizar este Orçamento? Qualquer pessoa de bom senso diria que faz isto pelo interesse do país. E para o ano logo veremos”, rematou.

“O que é normal é que haja um Governo apoiado pela esquerda. Mas, no caso do Orçamento, se não for possível haver esse apoio natural à esquerda, a oposição que ambiciona ser Governo pensará o que eu pensei como líder da oposição na altura: ‘que diabo, temos aqui um caminho importante para o euro, um caminho importante e difícil, por isso importa viabilizar o Orçamento, os eleitores que fiquem tristes, mas pelo interesse nacional justifica-se'”, afirmou Marcelo.

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