José Sena Goulão / Lusa
A ex-eurodeputada socialista, Ana Gomes, durante o anúncio da sua candidatura à Presidência da República
A ex-eurodeputada Ana Gomes, candidata à presidência da República, deixa farpas a Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que “é o maior desestabilizador do Estado” numa entrevista onde elogia o “trabalho extraordinário” de Rui Pinto e deixa um recado a “alguns” socialistas.
Numa entrevista à Rádio Observador, Ana Gomes começa por abordar a polémica relativamente à vacina contra a gripe que uma amiga lhe trouxe de França.
“Não fiz nenhuma ilegalidade”, frisa a candidata presidencial, notando que na farmácia portuguesa onde lhe foi administrada, não foi “levantado qualquer problema”. “Não disseram que era ilegal”, aponta.
Ana Gomes tomou vacina vinda de França. Infarmed diz que é ilegal (aeiou.pt)
De resto, Ana Gomes nota que não passou “à frente de ninguém” e que “até disponibilizou uma vacina” quando estão em falta.
A ex-diplomata também deixa críticas ao Presidente da República, considerando que “Marcelo é o maior desestabilizador do Estado”.
Uma ideia que surge na conversa no âmbito do acidente de Camarate que vitimou Francisco Sá Carneiro, ex-primeiro-ministro de Portugal.
Marcelo revelou que acredita que não se tratou de um acidente, mas de um atentado, conforme a nota que enviou ao programa “Expresso da Meia-Noite” da SIC-Notícias que foi dedicado aos 40 anos da morte de Sá Carneiro. Esta posição contraria as conclusões da Justiça.
“Formei uma convicção como cidadão que mantenho de que não se tratou de um acidente”, afirmou Marcelo, lamentando que a “última decisão da justiça não tenha podido contar por causa do tempo com mais dados probatórios” e que, assim, “tenha dito que não havia provas suficientes para apontar para o atentado, mas não havia provas suficientes também para apontar para o acidente”.
Uma posição que merece reparos de Ana Gomes. “Se acredita nisso é a maior suspeita que se pode levantar sobre todas as instituições do Estado e há que reabrir o caso”, destaca a candidata presidencial na entrevista ao Observador.
“Se fosse presidente e também estivesse convencida que tinha sido um atentado — como estou — eu não descansaria, sobretudo quando há um relatório que compromete todo o Estado a dizer o contrário”, atira ainda Ana Gomes.
“Esquema criminoso” no Novo Banco
Na entrevista, a ex-diplomata também deixa elogios ao “extraordinário trabalho” de Rui Pinto e diz esperar que, “em breve, se recuperem milhões” com base nas informações que obteve no âmbito dos casos Football Leaks e Luanda Leaks.
Ana Gomes comenta ainda a gestão do Novo Banco, frisando que “há uma nebulosa que leva a crer que possa haver esquema criminoso”.
“Gostaria era de ver todo o processo BES começar a ser julgado“, atira ainda a ex-diplomata que promete que “uma das questões prioritárias” se for eleita Presidente da República “é que a Justiça funcione”.
“Há imensas intervenções que a Presidente da República pode fazer para que os operadores que querem fazer o seu trabalho não sejam travados”, sublinha.
Quanto à falta de apoio do PS que resolveu não se colocar ao lado de nenhum candidato às próximas Presidenciais, Ana Gomes sustenta que se sente “fortalecida”, apesar de não ter o seu partido consigo.
“Alguns até é melhor que não estejam comigo”, refere a propósito de elementos do PS que prefere não identificar. “Essas pessoas sabem quem são”, constata.
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É a candidata à desgraça!