(dr) António Cotrim

Dois meses depois do maior incêndio de Portugal, o Presidente da República e o primeiro ministro visitam o local. A oposição exige, por sua vez, saber “o que tem sido feito com o dinheiro doado”.

O incêndio que matou 64 pessoas aconteceu há dois meses. O tempo passa e muitas polémicas envolveram o fogo: desde as falhas no sistema de comunicação, à lista de vítimas mortais, com muitas outras questões políticas à volta.

Esta quinta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa deslocam-se a Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, pelas 15:30, segundo o Diário de Notícias.

Depois de uma reunião na Câmara de Figueiró dos Vinhos, a comitiva vai visitar, em Pedrógão Grande, as casas em reconstrução – Aldeia das Freiras, Vila Facaia e Aldeia de Figueira, Graça – e a Unidade de Missão para a Valorização do Interior.

Após as visitas está prevista uma reunião na Câmara Municipal de Castanheira de Pera, onde acontecerá pelas 17:30, uma reunião com os presidentes das autarquias afetadas pelos fogos. Em seguida realiza-se a habitual reunião semanal entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.

Segundo o Jornal de Notícias, mais de 53 mil hectares de floresta arderam, num incêndio que devastou nove municípios. O fogo lavrou durante uma semana e causou um prejuízo de 497 milhões de euros.

Segundo o Público, no local, a esperança já veste verde. Junto ao solo, veem-se os fetos renascer e os eucaliptos a rebentar. O corte dos pinheiros mortos já começou, enquanto a regeneração natural vai avançando.

Para ajudar “à regeneração natural” e a erguer o Centro do país, a Comissão Europeia libertou 45 milhões de euros para apoiar a reconstrução de Pedrógão. A mudança no Programa Regional da Política de Coesão foi aprovada esta quinta-feira, avança o Expresso, e a verba disponibilizada tem como objetivo ajudar a revitalizar a atividade económica da região.

Esta reorientação “ajudará a região Centro a retomar o seu curso normal e ajudará os portugueses a virar a página deste capítulo doloroso”, afirmou a Comissária europeia para a política regional, Corina Cretu, no final da votação.

“A UE está pronta para reforçar o seu apoio quando e onde os europeus mais precisam”, assegurou a comissária.

Onde está o dinheiro? Pergunta o PSD

Nesta quinta-feira, o maior partido da oposição fez declarações à Renascença, onde exige ao Governo saber o valor exato dos donativos que os portugueses fizeram para ajudar as vítimas de Pedrógão.

Teresa Morais, vide presidente do PSD e uma das signatárias das perguntas enviadas aos ministros do Trabalho, Solidariedade, Segurança Social e da Administração Interna, disse ser “obrigação do Governo, por um imperativo de transparência, de rigor e de verdade, dizer a quantia exata que os portugueses doaram

e como é que o dinheiro está a ser utilizado”.

O Governo tem 30 dias para responder, mas a verdade é que da última vez não respondeu. A pergunta sobre a quantia exata do valor dos donativos foi feita uma primeira vez a 13 de Julho e não foi respondida até hoje”, critica.

Além dos valores recebidos, o PSD quer ainda saber “se já houve verbas entregues, a quem foram entregues, quais as quantias e para que fins”.

“É ainda importante saber se já houve apoios financeiros que tenham sido dados aos bombeiros e às suas famílias, porque nós sabemos que muitos portugueses que fizeram doações nessa altura, o fizeram com a intenção de ajudar os bombeiros”, acrescenta a social-democrata.

Sobre a criação de um fundo para gerir o dinheiro doado, o PSD não discorda da iniciativa do Governo, mas exige mais informação.

Evidentemente que poderia ter havido outras soluções. O Governo entendeu – por uma questão pragmática, imagino eu – que a forma mais eficaz de gerir estes fundos era incluí-los num fundo”, explica Teresa Morais.

“Para isso, criou, através de um diploma de 7 de Julho, o tal fundo onde existe como receita principal – é a primeira receita que está referida no próprio diploma – os donativos em dinheiro dados pelas pessoas através de transferências ou de depósitos bancários”, refere a vice presidente do PSD.

Achámos que haveria outras soluções, mas não questionámos na altura que o Governo quisesse criar um fundo. Achamos é que tem de haver transparência e informação, que até hoje o Governo deu, sobre todos estes aspetos”, sustenta.

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