António Silva / EPA

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou de Portugal como um caso de sucesso na sua visita de Estado a Moçambique, afirmando que o excedente orçamental anunciado pelo Governo “não é uma bizantinice”.

Num longo discurso à comunidade portuguesa em Maputo, conta o Expresso, o Chefe de Estado explicou em detalhe os últimos quatro anos de evolução em Portugal, fazendo uma comparação com a situação em que o país estava na sua última visita a Moçambique.

Durante este tempo, sustentou Marcelo, a taxa de desemprego desceu para o “pleno emprego” e Portugal recuperou a condição de “credibilidade financeira internacional”.

Tudo isto aconteceu, observou o Presidente da República, quando “passámos de um défice no Orçamento do Estado – que estava a ser recuperado mas que ainda existia – para um superavit orçamental. E isso não é uma bizantinice”, disse, citado pelo semanário.

Marcelo não quis de falar de política caseira em Maputo. O Presidente da República não comentou as diretas no PSD nem do Orçamento do Estado para 2020, sustentando esta opção com a “velha regra” de Belém: não falar de política interna fora do país.

Contudo, analisa o Expresso, Marcelo acabou por tocar no OE2020 no discurso “de Portugal” para a comunidade portuguesa e, ao afirmar que o excedente orçamental “não é uma bizantinice”, pode ter causado um certo desconforto no PSD

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De acordo com o jornal, a mensagem de Marcelo soou como um elogio ao primeiro-ministro, António Costa, e ao ministro das Finanças, Mário Centeno. Por outro lado, o facto de Marcelo dizer que haver um excedente em Portugal “não é uma bizantinice”, deixa o atual líder do PSD, bem como o seu adversário, com pouca margem.

O partido de Rui Rio, recorde-se, votou contra o OE2020 para 2020 e também Luís Montenegro, ex-líder parlamentar do PSD no tempo da troika e candidato à liderança do PSD, também disse que esse seria o seu sentido de voto.

Marcelo chega esta segunda-feira a Maputo para uma visita de cinco dias, durante a qual vai participar na cerimónia de posse de Filipe Nyusi, reeleito Presidente de Moçambique.

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