António Cotrim / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República afastou esta quinta-feira qualquer possibilidade de eleições antecipadas e aconselhou “baixar a temperatura” e agir no quadro parlamentar que os portugueses escolheram, considerando que o início de legislatura não pode ter sabor de fim.

Na sessão de encerramento da conferência “Portugal? e agora?”, promovida pelo jornal Público no âmbito dos seus 30 anos, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa fez um discurso com muitos avisos, quer para o Governo quer para os partidos da oposição, dirigindo-se também a outros setores da sociedade.

“Não se julgue que alguém de meridiano bom senso possa recorrer num intervalo de tempo em que isso será possível ao voto popular antecipado a pretexto de indefinições estratégicas decorrentes de imprevisibilidade política num país que acabou de sair de eleições, que gere uma situação de âmbito global na saúde pública e tem uma presidência europeia pela frente já no primeiro semestre do ano que vem”, avisou.

Para o chefe de Estado, “o caminho não é esse”, deixando clara qual a sua ideia.

“O caminho é outro: baixar a temperatura do ambiente vivido, resistir à tentação sistemática, venha de onde vier, poderes ou oposições, do aceno a crises políticas apelando a dissoluções, definir rumos minimamente estáveis e agir no quadro parlamentar que os portugueses escolheram”, defendeu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa foi perentório ao afirmar que em Portugal se vive “no início da legislatura um tempo que não pode ter o sabor de fim de legislatura”.

[sc name=”assina” source=”Lusa” ]