Estela Silva / Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa disse, esta sexta-feira, que, ao contrário de outros países europeus, Portugal não tem utilizado a retaliação. “É preciso tomar medidas locais e muito específicas.”

Esta sexta-feira, o Presidente da República visitou a Associação das Cozinhas Económicas da Rainha Santa Isabel, em Coimbra, e, no final da visita, sublinhou que Portugal não tem utilizado a retaliação, ao contrário de outros países europeus, que impõem limitações à entrada ou saída de turistas.

“Neste momento, em termos do desconfinamento há evoluções diversas nas várias sociedades e há sociedades que apresentam números que lhes permitem de uma forma unilateral estabelecer limites à entrada ou saída dos seus nacionais em termos de visitas ao estrangeiro. E depois, há sociedades, como é o caso da portuguesa, que não tem utilizado a retaliação, o olho por olho, dente por dente“, disse, citado pelo Expresso.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que a evolução da pandemia não é estática, sendo neste momento apenas mais preocupante na periferia da Grande Lisboa.

“É uma situação que ainda não tem provocado stress no SNS. Esta é a situação efetiva. Há países que admitem isso e que distinguem essa área do resto do território e há outros que misturam tudo. Nós não vamos pela retaliação. É preciso tomar medidas locais e muito específicas, não vale a pena olhar para a realidade de forma estática, outra realidade é completamente diferente daqui a um mês e meio”, acrescentou.

Em relação à revisão em alta do défice para 7%, o chefe de Estado disse que demonstra a “crise brutal” que o país já começou a viver devido à pandemia e que faz sentido que as previsões acompanhem a evolução europeia.

“Fazemos bem ao acompanhar previsões externas também quanto a Portugal e subindo aquilo que é a revisão do défice para 7%, que é um défice que traduz bem a crise brutal que já começámos a viver e vamos viver”, afirmou.

Para Marcelo, estas previsões revelam que a evolução económica e financeira na segunda metade deste ano será pior do que o esperado. “Quando há uma queda tão profunda do PIB isso quer dizer que diminuem as receitas, porque a atividade económica se afunda. Por outro lado, aumentam as despesas, porque o prolongamento da pandemia implica despesas de natureza sanitária e despesas sociais.”

Confrontado pelos jornalistas sobre a última sondagem, tornada pública esta sexta-feira, que aponta para a sua reeleição com 65% dos votos, o Presidente da República recusou comentar.

“Eu sou Presidente da República, não sou candidato presidencial. Vou continuar assim até ao final de novembro, depois logo verei o que faço. Até à convocação das eleições presidenciais o que os portugueses querem é um Presidente que acompanhe a pandemia, que é uma preocupação dos portugueses, que acompanhe a crise económica e social, e não um candidato presidencial”, rematou.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=””]