Os pais de Vincent Lambert, enfermeiro francês que ficou tetraplégico e em estado vegetativo depois de um acidente rodoviário em 2008, anunciaram esta segunda-feira que as máquinas que o mantêm vivo vão ser desligadas.
Vincent Lambert deixou de receber tratamentos médicos na passada terça-feira, depois da decisão do Supremo Tribunal ter decidido levantar o bloqueio à paragem do tratamento.
“Desta vez acabou. Os nossos advogados forçaram ainda o recurso nos últimos dias e realizaram as ações finais para fazer valer o recurso suspensivo perante a ONU, que beneficiava o Vincent. Mas em vão”, dizem Viviane e Pierre Lambert numa carta enviada à AFP e citada pelo Público. “A morte de Vincent é agora inevitável” e “se não aceitarmos isso, só podemos resignar-nos”.
De acordo com o mesmo jornal, a própria família estava dividida: os pais e uma irmã queriam manter Lambert vivo artificialmente, enquanto a sua esposa, outros cinco irmãos e um sobrinho concordavam que as máquinas deviam ser desligadas.
Segundo o Observador, os pais, profundamente católicos, nunca aceitaram que as máquinas fossem desligadas e sempre defenderam que seria possível reverter a morte cerebral em que o filho se encontrava.
Na semana passada, os progenitores ainda tentaram que a decisão fosse alterada e apresentaram uma queixa contra o médico Vincent Sanchez, do Hospital Universitário de Reims, por “tentativa de intenção de assassinato”.
A irmã mais nova disse à agência France-Presse que o processo de sedação está na “última fase” e garantiu junto dos médicos que o irmão “não irá sofrer”
. “Os efeitos da desidratação estão a ser sentidos, mas não sabemos quantos dias levará. Essa espera é muito dolorosa para todos”.O enfermeiro de 42 anos ficou tetraplégico em 2008 na sequência de um acidente rodoviário, tendo-se tornado um símbolo do debate sobre a eutanásia em França nos últimos 11 anos. Sem testamento vital para determinar as condições em que se pretende recorrer à morte assistida, o francês ficou entregue à nomeação de um representante legal.
Em 2011, os médicos que seguem o caso descartaram por completo qualquer possibilidade de melhorias e, em 2014, o seu estado passou a ser classificado como vegetativo.
Em junho de 2015, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem autorizou a interrupção do tratamento de Vincent Lambert. O órgão considerou na altura que a eutanásia não viola o artigo 2.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, relativa ao Direito à Vida.
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Sei que perder um filho é muito duro, mas mantê-lo em estado vegetativo irreversível, contra a sua vontade expressa, é muito egoísta e desumano.