José Sena Goulão / Lusa

O antigo Ministro da Economia Manuel Pinho

O ex-ministro da Economia vai ser acusado de seis crimes, cujo produto resultou no montante global de pelo menos 4,5 milhões de euros.

O Ministério Público (MP) prepara-se para acusar Manuel Pinho de seis crimes, segundo os autos do processo consultados esta quarta-feira pelo Expresso. Em causa estão um crime de prevaricação, dois crimes de corrupção passiva por ato ilícito, dois crimes de participação económica em negócio e um crime de branqueamento de capitais.

De acordo com o semanário, os procuradores do MP, que na terça-feira iam interrogar o ex-ministro da Economia, mas sem sucesso, devido a uma questão técnica, já lhe entregaram, assim como ao seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, o rol de factos que são suscetíveis de integrar práticas criminosas.

“O produto que resultou dos crimes em investigação para o arguido Manuel Pinho ascendeu ao montante global de pelo menos 4.562.527 euros“, refere o auto do interrogatório desta terça-feira.

O documento, consultado pelo semanário no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), refere ainda que “o arguido agiu sempre de forma livre, voluntária e consciente, bem sabendo que as suas condutas eram proibidas e punidas por lei, tendo atuado em conjugação de esforços com outros arguidos”.

O jornal destaca que, destes 4,5 milhões de euros, 1,26 milhões de euros vieram do Grupo Espírito Santo (GES), através da Espírito Santo Enterprises, e 620 mil euros através da Universidade de Columbia, que era patrocinada pela EDP.

Os procuradores indicam que “o ex-ministro conseguiu um enriquecimento ilegítimo” e imputam-lhe a responsabilidade por prejuízos aos consumidores da EDP em cerca de 1,2 mil milhões de euros, por alegados benefícios que permitiu à elétrica enquanto ministro.

“Em resultado da prática de todos os factos imputados ao arguido, este terá causado aos cidadãos residentes em Portugal um prejuízo de 1,2 mil milhões de euros, bem como uma distorção da concorrência”.

Neste valor, explica o Expresso, estão incluídos os quase 340 milhões de euros de sobrevalorização do valor inicial dos Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), 852 milhões do valor económico da extensão do domínio público hídrico à EDP sem concurso e 55 milhões relativos à isenção de pagamento da taxa de recursos hídricos no acordo de extensão do domínio hídrico.

Manuel Pinho foi constituído arguido em julho de 2017, um mês depois de o presidente executivo da EDP, António Mexia, também o ter sido. Na altura, o juiz Ivo Rosa deu razão ao antigo governante do Executivo socialista (2005/2009), mas o recurso do Ministério Público ao Tribunal da Relação de Lisboa acabaria por anular a decisão do juiz.

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