Mário Cruz / Lusa

O responsável editorial da Porto Editora considera que a medida que o Governo quer implementar a partir do próximo ano letivo pode deixar duas mil pessoas no desemprego.

O administrador e responsável editorial da Porto Editora, Vasco Teixeira, deixou vários alertas relativamente à medida do Governo que prevê a gratuitidade dos manuais escolares para alunos do 1.º ano de escolaridade.

Em entrevista à Renascença, no programa “Terça à Noite”, o responsável da editora assegura que esta medida, que deve entrar em vigor a partir do próximo ano letivo, pode levar ao fecho de muitas livrarias.

O responsável lembra que o país tem baixos índices de leitura e um tecido livreiro fragilizado, pelo que a venda sazonal de livros escolares funciona como “um balão de oxigénio” para estes estabelecimentos.

Das pouco mais de 600 livrarias existentes, Vasco Teixeira alerta que metade podem vir a encerrar, levando ao desemprego cerca de duas mil pessoas.

Vasco Teixeira diz ainda que a medida vai gerar a entrada de concorrentes internacionais no mercado editorial, comparando o caso à banca portuguesa.

“Pode-nos acontecer o que está a acontecer na banca, em que a gente olha à volta e só vê bancos estrangeiros a tomarem conta do tecido bancário com o prejuízo enorme que isso traz para as empresas nacionais”, compara.

Além disso, na opinião do administrador, a medida prevista pelo Governo pode levar a uma questão de desigualdade entre os alunos.

Os alunos mais carenciados “não vão ter os livros quando forem fazer os exames” porque lhes serão “retirados no final do ano letivo para serem entregues a outros alunos no início do ano seguinte”, explica.

Ao reutilizar os manuais escolares, Vasco Teixeira lembra ainda que os alunos ficam impedidos de sublinhar os livros, o que vai “limitar as aprendizagens e isso tem um custo”.

Por isso, o responsável, que considera que o “tema entrou aceleradamente na agenda na negociação do apoio parlamentar”, exige mais “ponderação e cuidado adicional”.

ZAP