O militar infiltrado que foi essencial para a recolha de provas contra a chamada “máfia militar”, envolvida num esquema de sobre-facturação nas messes da Força Aérea, teve de abandonar as Forças Armadas e encontra-se sob proteção especial.

O Jornal de Notícias apurou que este major, que colaborou com as autoridades para “apanhar” os militares envolvidos num esquema de sobre-facturação de alimentos, nas meses das Bases Aéreas espalhadas pelo país, está “resguardado num organismo do Estado sob medidas de protecção especiais e policiais“.

O diário avança, na sua edição impressa desta quarta-feira, que o major teve de abandonar a Força Aérea por razões de segurança.

Este militar foi aliciado pelos suspeitos e denunciou a situação às autoridades. Acabou por ser usado pela Polícia Judiciária como infiltrado no meio do esquema, recolhendo provas cabais contra os implicados no caso, nomeadamente gravando conversas e registando fotografias comprometedoras.

A chamada Operação Zeus inclui 86 arguidos, dos quais 40 militares, entre os quais um general e outros oficiais. Também há várias empresas suspeitas de corrupção, no âmbito do caso, que continuam a fornecer as messes das Forças Armadas.

O Público apurou, entretanto, que o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) assinou, por ajuste directo, um contrato de fornecimento de produtos alimentares com a “Pac e Bom”, uma das empresas implicadas no esquema de sobre-facturação.

Este ajuste directo terá sido feito dois meses depois de a empresa ter sido constituída arguida no âmbito da “Operação Zeus”, refere o jornal.

O EMGFA explica ao jornal que esta adjudicação “decorreu de um concurso público que, por razões de tramitação procedimental, não se concluiu”. A entidade acrescenta que a “Pac e Bom” apresentou o preço mais baixo, beneficiando, assim, do ajuste directo para o fornecimento de produtos hortícolas para o pólo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas.

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