Maria Helena, taróloga do programa da manhã da estação de Carnaxide, ofereceu-se para resolver problemas judiciais dos telespetadores.
Depois da SIC ter afastado Carla Duarte, por esta ter aconselhado em direto uma alegada vítima de violência doméstica a “mimar” o marido agressor, eis que surge uma nova polémica com outra taróloga.
Desta vez, segundo o Público, é a cartomante Maria Helena quem está na calha, depois de se ter oferecido para resolver os problemas judiciais dos telespetadores.
“Você tem amigos que lhe andam a querer fazer a folha? Você, que tem um problema em tribunal, não se quer defender? Então vá, ligue para mim”, disse a taróloga durante o programa da passada quinta-feira.
Tal como refere o jornal, de acordo com a legislação, um cidadão, que não seja advogado ou solicitador, e decida praticar atos próprios destas profissões pode ser punido com pena de prisão até um ano ou multado.
A pergunta que se impõe agora é se as palavras da taróloga da SIC podem ser consideradas um crime de procuradoria ilícita.
Na opinião da bastonária dos advogados, Elina Fraga, a resposta é não, no entanto, lamenta que um canal de televisão “se aproveite da vulnerabilidade das pessoas mais fracas ou desesperadas”.
“Essa senhora não vai poder representar ninguém em tribunal. Quando muito está a propalar um serviço, mas isso não é nada de novo: a bruxaria também promete resolver todos os problemas das pessoas. Outra coisa seria se ela encaminhasse os espetadores para um advogado: seria angariação ilícita de clientela”, afirmou ao jornal.
Também António Jaime Martins, Presidente do Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, desvaloriza o caso e pensa não ser preciso desencadear um processo, até porque “estamos apenas perante patetice aguda”, considera.
“Se se atrevesse a dar conselhos jurídicos, aí, sim, estaríamos perante o crime de procuradoria ilícita”, acrescenta o responsável.
Esta poderá ser a segunda dor de cabeça que o programa “A Vida nas Cartas – o Dilema” dá à SIC, depois da resposta dada pela taróloga, entretanto dispensada, a uma vítima de violência doméstica.
As imagens do programa foram amplamente partilhadas nas redes sociais há cerca de duas semanas, tendo motivado muitas queixas à Entidade Reguladora para a Comunicação Social.
ZAP
Charlatanismo televisivo.
Qual é a admiração?
Quem vende Calcitrim também pode vender serviços de apoio juridico, vale o que vale.
Deviam era de inventar um simbolo (como a bolinha a indicar que deve ser visto apenas por adultos) para colocar no ecran quando for charlataniçe.