Aos nove nomes já envolvidos no chamado “Huaweigate”, que terão feito uma viagem à China a convite da Huawei, juntam-se agora seis altos funcionários da Saúde e da Autoridade Tributária.

Segundo revela este sábado o jornal Expresso, seis altos quadros do Ministério da Saúde e da Autoridade Tributária terão viajado para a China no início de junho de 2015 com o apoio de uma empresa privada associada da Huawei, que terá suportado os custos da viagem, a rondar os 12 mil euros.

O jornal cita uma fonte ligada ao processo, segundo a qual a empresa de telecomunicações “pagou tudo, mesmo tudo”, incluindo a alimentação.

De acordo com o mesmo jornal, cinco dirigentes dos SAMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e um quadro superior da Autoridade Tributária viajaram para a China para visitar o hospital de Zhang Zhou e a sede da Huawei. Tanto a SPMS como o Ministério das Finanças confirmaram as viagens.

Em causa poderá estar a prática de um crime de recebimento indevido de vantagem, punível com cinco anos de prisão. O Ministério Público ainda não ouviu nenhum dos envolvidos, mas o Ministério das Finanças já abriu uma investigação à viagem do chefe do Núcleo de Sistemas Distribuídos.

Segundo adianta o semanário, os quadros do SPMS são Artur Trindade Mimoso, vogal executivo do conselho de administração, Nuno Lucas e Rui Gomes, directores de sistemas de informação, Ana Maurício, directora de comunicação, e Rute Belchior (diretora de compras).

O dirigente das Finanças é Carlos Santos, chefe da equipa multidisciplinar de 2º nível do Núcleo de Sistemas Distribuídos, que terá sido “convidado a participar numa cimeira de tecnologia no quartel-general da Huawei, de 9 a 14 de Fevereiro de 2015”.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério das Finanças indicou que a AT está a conduzir o inquérito para “verificação das circunstâncias que levaram à autorização e aceitação da viagem em questão”.

O Ministério da Saúde não considera ter havido qualquer ato ilícito na viagem com tudo pago de cinco diretores. Segundo o jornal, a Huawei manifestou-se “disponível” para esclarecer os factos “em sede própria”.

A SPMS justifica as viagens com a necessidade de “adquirir e partilhar conhecimentos” e que “fruto dessa viagem de trabalho” foi criado um centro de telemedicina.

Estes dirigentes juntam-se aos nove nomes envolvidos no caso das viagens pagas a políticos pela chinesa Huawei, que já causou da demissão do adjunto do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Nuno de Almeida Barreto.

Além de Nuno Barreto, também o presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Sérgio Azevedo, o vereador do PSD em Oeiras Ângelo Pereira, e o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luís Newton, estão envolvidos no caso da viagem à China, já conhecido como Huaweigate.

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