O Novo Banco aqueceu o debate desta quinta-feira no Parlamento, com Rui Rio e Catarina Martins a utilizarem quase todo o tempo de intervenção a questionar António Costa sobre a injeção de capital na instituição bancária.
O presidente do PSD, Rui Rio, desafiou o primeiro-ministro, António Costa a esclarecer se não estão a ser pagos “calotes empolados” no Novo Banco, lamentando que a justiça não tenha ainda atuado no “maior crime de colarinho branco”, numa referência ao BES.
Rui Rio centrou toda a sua intervenção nas injeções de dinheiro público no Novo Banco calculando que, desde 2014, esta instituição já tenha recebido cerca de 7 mil milhões de euros de impostos dos portugueses.
“O senhor ministro das Finanças diz que temos de pagar, ponto final. Não concordo, temos de pagar porquê? Temos de pagar se for devido, se não for devido não temos de pagar”.
O líder do PSD pediu a António Costa que esclarecesse se “tem a certeza” de que não existem créditos do Novo Banco “vendidos ao desbarato”, imóveis vendidos “a preço de favor” (e a quem) e pediu que a Assembleia da República tenha acesso à documentação que detalha as imparidades que justificam as injeções do Fundo de Resolução.
“Imparidades em linguagem bonita da Assembleia da República, para o povo entender, são calotes”, afirmou Rui Rio no Parlamento.
Na resposta, o primeiro-ministro apontou que quem supervisiona e quantifica as imparidades do Novo Banco é o Banco Central Europeu e que as contas desta instituição foram auditadas por três entidades. “Se quer saber e obter essa documentação, é requerer a quem a tem. E quem a tem ou são os auditores ou o Fundo de Resolução“, afirmou.
“O melhor acordo possível”
Perante as dúvidas do presidente do PSD, António Costa defendeu que a venda do Novo Banco em 2017 – quando apenas havia um interessado – foi “o melhor acordo possível”.
“Se não tivéssemos vendido em 2017, teríamos ficado melhor com o banco resolvido?“, questionou António Costa em resposta a Rui Rio.
“Não quero comentar o que fizeram os meus antecessores, sobre o que nós fizemos não tenho a menor dúvida de que para a banca, para a economia portuguesa e para a imagem externa do país, a venda foi o melhor acordo possível face ao que estávamos a vender”.
Rio fez também questão de voltar uns anos atrás e referir-se ao Banco Espírito Santo, cuja resolução viria a dar origem ao Novo Banco (o chamado “banco bom”), lamentando que a justiça “não tenha tido ainda a capacidade de julgar
e muito menos punir quem quer que seja naquele que é o maior crime de colarinho branco em Portugal”.Dinheiro pode ser “resgatado” em caso de falhas
Também a coordenadora bloquista, Catarina Martins, questionou o primeiro-ministro sobre as injeções de capital no Novo Banco.
Numa das respostas ao Bloco de Esquerda António Costa defendeu que se a auditoria ao Novo Banco vier a revelar falhas de gestão que injustifiquem as injeções de capital, o Fundo de Resolução “tem toda a legitimidade” para recuperar o dinheiro.
Catarina Martins arrancou o debate quinzenal com a questão do Novo Banco por considerar necessário saber o que mudou para que “uma auditoria que era indispensável agora ser dispensável”, deixando uma pergunta a António Costa: “quando a auditoria for conhecida, como é? se tiver sido mal gerido o Novo Banco, vamos lá buscar o dinheiro?”.
Em resposta, o primeiro-ministro começou por distinguir “os diferentes intervenientes” do Estado. “Se pelo Estado se refere ao Fundo de Resolução, que é quem tem feito as injeções de capital no Novo Banco, não tenho a menor das dúvidas de que, se a auditoria vier a dizer que o banco cometeu falhas de gestão que injustificavam as injeções que forem feitas, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação do dinheiro que desembolsou e que não tinha que desembolsar”, considerou.
No que diz respeito ao “Estado-Governo”, o papel que este tem “não é injetar dinheiro no Novo Banco, é emprestar dinheiro ao Fundo de Resolução”.
“Se depois o dinheiro que o Fundo de Resolução injetou no Novo Banco foi mal injetado e isso vier a ser verificado na auditoria, com certeza que o fundo de resolução terá de retirar daí as necessárias ilações”, apontou.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Senhor Ruim Rio onde andava quando o governo do seu partido fez do BES dois bancos? O Banco Bom que por acaso depois o transformou em Novo Banco, nessa altura foram milhões mas o senhor como bom populista nem abriu a boca, chame os bois pelos nomes e diga que tanto o seu partido PPD em conjunto com o CDS como o PS deram milhões ao Novo Banco, BPN, BPP etc.etc.etc. Vá lamber sabão.