Tiago Petinga / Lusa

António Costa e Mário Centeno

O Fundo da Zona Euro que emprestou 26 mil milhões de euros a Portugal não está disposto a aliviar os juros da dívida nacional, considerando que já são “muito baixos”.

Esta é a reacção do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que é o maior credor de Portugal, ao relatório apresentado por PS e Bloco de Esquerda com vista à reestruturação da dívida portuguesa.

O relatório prevê a negociação europeia de juros sem cortar no valor nominal da dívida, mas ampliando o prazo de pagamento em mais 45 anos.

Mas uma fonte do MEE, citada pelo Dinheiro Vivo, considera que “não seria possível” baixar os juros porque as condições oferecidas a Portugal já são “muito boas”.

Este elemento do Fundo liderado pelo alemão Klaus Regling salienta ainda que “Portugal beneficia de maturidades muito longas (20,8 anos de maturidade média ponderada)” e de “uma taxa de juro muito baixa (actualmente 1,88%) pelos cerca de 26 mil milhões de euros de empréstimos concedidos”.

“Estas taxas reduzidas e estes prazos longos produzem uma poupança considerável no orçamento português: 0,4% do PIB em 2012, 0,6% em 2013, 0,7% em 2014, 0,7% 2015″, afiança a mesma fonte do MEE, acrescentando que essa poupança continuará “nos próximos anos, proporcionando espaço orçamental” ao Governo.

“Qualquer redução adicional desta taxa de juro resultaria na necessidade de um novo apoio directo dos estados da Zona Euro e de transferências orçamentais, o que não seria possível no quadro do MEE”, afiança o mesmo elemento ao Dinheiro Vivo.

Esta fonte também destaca que “Portugal tem um elevado endividamento e, por conseguinte, é fundamental que haja uma redução contínua da dívida pública“.

Os outros dois credores de Portugal, o Mecanismo de Estabilização Financeira e o Fundo Monetário Internacional, não comentam o relatório de PS e Bloco. Portugal deve a estas três entidades um total de 66,2 mil milhões de euros, “o equivalente a 35% do PIB”.

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