O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, organizou uma operação secreta para retirar o empresário colombiano Alex Saab de uma prisão cabo-verdiana.

Uma investigação do Expresso e da Armando.info, uma plataforma de jornalismo de investigação venezuelana, revela os contornos de uma operação secreta levada a cabo pelo Presidente venezuelano para retirar um empresário colombiano de uma prisão em Cabo Verde.

Embora não haja confirmação oficial de nenhum dos países, Nicolás Maduro terá tentado libertar de uma prisão cabo-verdiana Alex Saab, empresário com quem tem ligações suspeitas e que é um dos maiores beneficiários de contratos públicos da Venezuela.

Saab foi detido ao final da tarde de 12 junho, numa escala na ilha do Sal, em Cabo Verde. O empresário foi acusado de branqueamento de capitais e corrupção internacional por alegados subornos ao Governo venezuelano.

Em causa estava uma fraude na venda ao Estado de leite em pó, pobre em cálcio e proteínas, que era distribuído às famílias venezuelanas mais necessitadas. O Expresso escreve que o leite em pó fornecido obrigava uma criança de três anos a beber 13 a 41 copos para alcançar o valor mínimo diário de cálcio recomendado.

Para retirar Saab da prisão, Maduro nomeou-o “agente do Governo bolivariano da Venezuela” logo após a detenção, pedindo a Cabo Verde a sua libertação imediata.

No dia 26 de junho, um ­avião Dassault Falcon 900EX da PDVSA, a companhia petrolífera estatal da Venezuela, aterrou no Aeroporto Osvaldo Vieira, na Guiné-Bissau, que fica a 1.200 quilómetros da prisão cabo-verdiana onde estava Saab. Os tripulantes e passageiros da aeronave não passaram pelo controlo aéreo.

O avião esteve também em Cuba antes de passar por Bissau, com fontes contactadas pelo Armando.info a darem como provável a presença de agentes dos serviços secretos cubanos nesse voo. O objetivo seria resgatar Saab da prisão através do pagamento de subornos. Outra fonte sugere que o avião carregava um grupo de embaixadores e diplomatas.

O Expresso sabe ainda que um Airbus A330-323X russo esteve duas semanas na capital guineense, juntamente com um barco que esteve ancorado perto da ilha de Suga. Ambos fariam parte da operação secreta de Maduro, escreve o diário.

Para evitar a fuga de Saab, os Estados Unidos, que tiveram conhecimento das movimentações do Falcon, chegaram a enviar elementos das forças especiais para a ilha.

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, terá ainda telefonado pessoalmente a um jornalista local, que republicou artigos da imprensa internacional sobre o assunto.

“Toma cuidado. Entraste na mira do meu serviço de informação pessoal. Disseram-me que estás a tratar da questão dos aviões russo e venezuelano”, ameaçou Embaló.

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