Ian Langsdon / EPA

Emmannuel Macron com Donald Trump

Emmanuel Macron afirmou que os ataques na síria foram um sucesso “no plano militar” e revelou ter persuadido Donald Trump a não retirar as tropas norte-americanas do terreno.

Este domingo, o Presidente francês Emmanuel Macron disse que os ataques ocidentais contra a Síria foram um sucesso “no plano militar” e revelou ter convencido o seu homólogo dos Estados Unidos a não retirar as tropas norte-americanas do terreno.

Em entrevista televisiva, Macron declarou que “no plano militar tivemos sucesso na operação”, acrescentando que “foi a comunidade internacional que interveio”, numa referência à operação comum dos Estados Unidos, França e Reino Unido, realizada na madrugada de sábado fora do quadro das Nações Unidas.

Além disso, o Presidente francês garantiu durante a entrevista que terá persuadido o Presidente Donald Trump, que já havia manifestado intenção de retirar as tropas norte-americanas do terreno, “de permanecer” na Síria, na sequência dos ataques dos Estados Unidos, França e Reino Unido na madrugada deste sábado.

“Há dez dias, o Presidente Trump dizia que os Estados Unidos admitiam a hipótese de se descomprometerem com a Síria, mas convencemo-lo que era necessário permanecer“, declarou.

Os Estados Unidos têm aproximadamente 2 mil soldados das forças especiais na zona Nordeste da Síria, onde combatem com os curdos do YPG e com as Forças Democráticas Sírias. Além disso, segundo o Observador, financiam e treinam estes dois grupos, que combatem o Estado Islâmico e também as tropas de Bashar al-Assad.

Além disso, Macron deu a entender que Donald Trump poderá ter equacionado um ataque mais forte do que aquele que foi perpetuado no sábado, no qual foram lançados 105 mísseis entre os EUA, França e Reino Unido. “Convencemo-lo de que é preciso limitar esses ataques às armas químicas”, referiu o Presidente francês.

Ainda nas mesmas declarações, o chefe do Eliseu assegurou que a França “não declarou guerra ao regime” de Bashar al-Assad e recordou a vontade de Paris de encontrar uma solução política “inclusiva” à guerra na Síria, que junte todos os setores envolvidos na crise.

Este sábado, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido realizaram uma série de ataques com mísseis contra alvos associados à produção de armamento químico na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade de Douma, Ghouta Oriental, por parte do governo de Bashar al-Assad.

A ofensiva consistiu em três ataques, com uma centena de mísseis, contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono. O presidente dos Estados Unidos justificou o ataque como uma resposta à “ação monstruosa” realizada pelo regime de Damasco contra a oposição. Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança.

Na sequência destes ataques, e a pedido da Rússia, realizou-se uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na qual foi rejeitada uma proposta de condenação da ofensiva militar, apresentada pelos russos.

Vladimir Putin avisou que novos ataques à Síria por países europeus e Estados Unidos podem provocar “o caos” nas relações internacionais, enquanto o líder sírio acusou os EUA e os seus aliados de lançarem uma “campanha de falácias e mentiras” após a ofensiva militar.

Na segunda-feira, será entregue ao Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução sobre a Síria, que inclui um novo mecanismo de controlo sobre o uso de armas químicas. Segundo fontes diplomáticas, o texto redigido pela França abrange três áreas: química, humanitária e política.

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