Os cientistas não têm dúvidas: a Lua nasceu de um evento catastrófico. Uma equipa de especialistas afirma ter novas e convincentes evidências que apoiam a teoria do grande impacto, que sustenta que o satélite se formou depois de um corpo com o tamanho de Marte ter impactado a Terra há 4,5 mil milhões de anos.

A conclusão é de uma equipa de cientistas do Observatório da Montanha Púrpura da Academia Chinesa de Ciências, que levou a cabo uma análise isotópica in situ em três meteoritos lunares fornecidos pela agência espacial norte-americana (NASA).

Os resultados evidenciaram um grau extremamente elevado de fracionamento isotópico de cloro, que é um forte indicador de condições de temperatura e energia ultra-altas, comummente produzidas durante a colisão entre gigantes corpos celestes.

Em comunicado da Academia Chinesa de Ciências, Wang Ying, cientista que participou na investigação, explicou que o fracionamento de isótopos de cloro é um processo pelo qual o cloro-25 (o isótopo mais leve deste elemento) evapora mais do que o cloro-37, o seu “homólogo” mais pesado, em condições extremas de temperatura.

Por isso, concluiu o especialista, o elevado grau de fracionamento isotópico de cloro nos meteoritos lunares analisados apresenta novas e convincentes evidências de que a Lua é “filha” de um evento catastrófico, sustentando a teoria do impacto.

“A hipótese do grande impacto oferece interpretações racionais para muitas observações, como a velocidade de rotação da Lua e o tamanho relativamente grande da Lua comparativamente à Terra”, completou HSU Weibiao, cientista do observatório chinês.

E acrescenta: “Além disso, as rochas lunares trazidas pelos astronautas da [missão] Apollo contêm a mesma composição isotópica de oxigénio do que a Terra. Noutras palavras, os dois corpos compartilham o mesmo conjunto de ‘ADN”.

O projeto sobre a origem da lua começou em 2011, tendo os seus resultados sido a semana passada publicados na revista científica especializada Scientific Reports.

A teoria do grande impacto foi proposta pela primeira vez em meados de 1975 por investigadores dos institutos norte-americanos de Ciências Planetárias de Tucson e de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Desde então, produziram-se várias investigações, muitas da quais associadas a modelagens numéricas, que têm apontado esta hipótese como a mais consensual entre a comunidade científica.

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