The Prime Minister's Office / Flickr

O primeiro-ministro britânico, David Cameron

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico David Cameron admitiu esta segunda-feira o risco de que uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) possa levar a uma transferência do campo de imigrantes de Calais, norte de França, para Inglaterra.

“Se o Reino Unido deixar a União Europeia, não há nenhuma garantia de que os agentes britânicos de controlos de fronteira em Calais permaneçam no local”, afirmou o porta-voz adjunto, acrescentando que “se esses controlos não estiverem no local, então não há nada que impeça milhares de pessoas de atravessarem o Canal da Mancha para chegarem a Kent e pedirem asilo”.

Segundo a imprensa britânica, este deverá ser um dos argumentos utilizados por David Cameron, que prometeu fazer um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE até ao final de 2017, na campanha para convencer os eleitores a aceitar o projeto de reformas que negociou com Bruxelas.

O porta-voz do primeiro-ministro britânico sublinhou que o Reino Unido e França têm “relações de trabalho positivas” no que toca às fronteiras, mas que “uma saída da UE colocaria em causa o conjunto da relação”.

Os apoiantes do Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia – acusam o Governo de alarmismo.

“O tratamento dos migrantes em Calais depende de um acordo com França, não com a UE. Não há nenhuma razão para que mude se sairmos da UE”, afirmou Arron Banks, um dos fundadores do movimento “Leave EU”.

“O governo agita este fantasma porque não conseguiu da UE as reformas de fundo que tinha prometido”, acrescentou o empresário.

Já o movimento pró-UE “Britain Stronger in Europe” considera o impacto de uma saída da UE na gestão das fronteiras uma questão real.

“Enquanto membro da UE, temos o melhor de dois mundos”, assegurou Will Straw, um dos dirigentes do movimento. “Graças ao acordo com França, os nossos controlos nas fronteiras estão em Calais e não em Dover. Se sairmos da UE, há um risco real desse acordo cessar, tornando menos seguras as fronteiras do Reino Unido”, alertou.

ZAP