Sacos de lixo que se acumulam junto a contentores, copos de plástico com restos de bebidas, garrafas de vidro, sofás velhos no meio da rua e um cheiro nauseabundo. Estas são as queixas dos moradores de alguns dos bairros mais turísticos de Lisboa que culpam a falta de civismo, a restauração, mas também o aumento do turismo.

“Há montes e montes de lixo, quase dá pelos pés”, lamenta ao Diário de Notícias Senhorinha Andrade, de 80 anos, uma moradora do Bairro Alto há 50 anos. “[Os turistas e os funcionários dos restaurantes] têm ali os caixotes, mas não vão pôr lá o lixo”, queixa-se a mulher, frisando que o colocam “à porta, é aqui ou acolá”.

Senhorinha Andrade também critica a Câmara porque diz que “já nem lavam as ruas” porque “não há pessoal para lavar”. “É um fedor que não se pode”, queixa-se.

Além do Bairro Alto, Alfama e o Cais do Sodré estão também entre as zonas mais afectadas pela acumulação do lixo. E Maria Gabriela Vaz, dona de um café, desabafa no DN que “o turismo veio e nunca houve uma solução para isto”.

Outros moradores das zonas mais afectadas culpam também o aumento “descontrolado” do turismo, acusando os estabelecimentos de alojamento local e de restauração de não respeitarem “as regras ou horários de recolha do lixo”, como cita o DN.

Mas Júlio da Silva, funcionário de uma loja de conveniência, fala também da “falta de civismo” e critica o sistema de recolha de lixo que “no Verão, não funciona porque é muita gente, é muito lixo”, refere ao DN.

“Não se fazem limpezas porque não há gente, foi tudo de férias“, acrescenta Júlio da Silva.

“É essencial haver um aumento no número de recolhas“, assume também a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, notando em declarações ao DN que, nesta altura do ano, “a produção de lixo é tanta que a recolha não consegue acompanhar as necessidades que existem”.

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, também fala do problema do turismo, frisando que a localidade tem “cerca de 14 mil habitantes” e “visitantes diários na ordem das 250 mil pessoas“. “Precisamos de mais meios humanos e instrumentos mecânicos e para isso precisamos de meios financeiros”, destaca no DN.

O jornal noticiou recentemente que a Câmara de Lisboa vai atribuir 5 milhões de euros da taxa turística cobrada pelas dormidas em Lisboa, para a limpeza urbana das freguesias mais procuradas pelos turistas. “Estamos à espera que se concretize”, refere Miguel Coelho em declarações ao DN.

A autarquia aponta, em nota enviada ao jornal, que a proposta “deverá ser aprovada este ano, em reunião de Câmara e Assembleia Municipal”, e que deverá começar a ser aplicada nas Juntas de Freguesia “a partir do próximo ano”.

A Câmara de Lisboa também diz que “a limpeza [das ruas] é da responsabilidade das Juntas e que, por isso, só elas podem falar da redução dos trabalhadores dedicados a essa competência”. Todavia, assume que, nesta altura, tem “mais trabalhadores em férias”, e que “isso cria constrangimentos ao serviço de remoção” do lixo.

[sc name=”assina” by=”ZAP”]