André Kosters / Lusa

Rui Tavares, Joacine Katar Moreira

O Livre aprovou a retirada de confiança política a Joacine Katar Moreira. A decisão sobre a deputada única eleita pelo partido para o Parlamento foi tomada “por maioria” na madrugada desta sexta-feira, avança o jornal Público.

Apesar dos esforços que as duas partes dizem ter feito, o divórcio foi inevitável e o Livre opta assim por abdicar da sua representação parlamentar, cessando a sua relação com a deputada eleita por Lisboa.

De acordo com o Público, a reunião, agendada para as 20h, arrancou depois das 20h45, quando o quórum para a realização do encontro ficou preenchido pelas presenças na sede do partido, em Lisboa, mas também pelos membros que acompanharam e participaram na discussão à distância, via Skype. Ainda que sem direito de voto – exclusivo aos membros da assembleia -, estiveram presentes na reunião membros do grupo de contacto.

De acordo com o Observador, mais de 80% dos membros a votaram a favor pela retirada de confiança à deputada.

Joacine Katar Moreira não esteve presente na reunião em que foi aprovada a sua retirada de confiança política, por considerar que não foi convocada pelos órgãos do partido, que têm uma versão distinta.

O advogado Ricardo Sá Fernandes, que defendeu um entendimento entre as duas partes, também não esteve presente por considerar que a sua “comparência não foi solicitada”.  Em declarações ao Público, Ricardo Sá Fernandes lamentou a decisão. “Lamento que um partido que sempre quis lançar pontes entre a esquerda não seja capaz de fazer mais para manter uma ponte com a sua única deputada”.

A reunião acontece depois de um congresso que decidiu adiar uma decisão sobre a retirada da confiança política a Joacine Katar Moreira, que se exaltou

e chegou a acusar elementos do partido de mentirem.

Na reunião magna realizada nos dias 18 e 19, esteve em debate uma resolução da anterior Assembleia do Livre que propunha a retirada da confiança política à única deputada que o partido conseguiu eleger nas legislativas de 6 de outubro passado.

O percurso de Joacine desde que se tornou deputada eleita tem sido marcado por polémicas. Na origem da discórdia entre a deputada e o seu partido, o Livre, esteve a abstenção da deputada numa votação de condenação de uma ação militar de Israel na Faixa de Gaza.

A deputada do Livre assumiu “toda a responsabilidade” do voto, afirmando que o fez contra o que acredita, e atirou as culpas ao partido por “dificuldade de comunicação” entre a própria e a atual direção do Livre.

Depois dessa polémica, nos corredores do Parlamento, Joacine não respondeu a perguntas. Seguiu acompanhada pelo assessor, Rafael Esteves Martins, e escoltada por um segurança, que tentou afastar os jornalistas. Entretanto, a tensão agravou-se ainda mais quando a deputada falhou o prazo de entrega do projeto de lei sobre a nacionalidade, uma das principais bandeiras do partido.

Apesar da polémica com a direção do partido, Joacine já garantiu estar “completamente fora de questão” renunciar ao mandato e deixar a Assembleia da República.

O Livre torna-se, assim, o primeiro partido a ficar sem representação no Parlamento, excluindo eleições. Joacine perde alguns direitos, entre os quais a possibilidade de questionar o primeiro-ministro nos debates quinzenais. Além disso, as declarações políticas passam de três para duas em cada ano da legislatura.

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