As ruas dos Bacalhoeiros, Nova da Trindade e João das Regras, na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, vão ser pedonais, com o fecho do acesso ao trânsito, decisão tomada na sequência da crise provocada pela covid-19. Além disso, a rua dos Bacalhoeiros foi pintada de azul.

A medida visa “o alargamento do espaço público destinado a esplanadas e a pedonalização de algumas vias como forma de se contribuir para combater a profunda crise, que atinge em particular a restauração e afins no centro histórico, com graves e imediatas consequências na perda de dezenas ou centenas de postos de trabalho”, avançou a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

Proposta pela Câmara Municipal de Lisboa, liderada por Fernando Medina (PS), a medida foi aprovada, por unanimidade, pela Assembleia Municipal de Lisboa, tendo a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, presidida pelo autarca Miguel Coelho (PS), aceite “a pedonalização e fecho temporário de três ruas em todo o território, duas delas com escasso e residual trânsito”.

“Estas ruas são a Rua Nova da Trindade (troço entre o Largo da Trindade e a Travessa João de Deus), a Rua dos Bacalhoeiros (no troço até à Rua da Padaria) e a Rua João das Regras”, indicou o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, em comunicado, adiantando que o compromisso assumido teve em consideração a “urgência” em poder fornecer aos operadores comerciais esta possibilidade ainda durante este verão.

O acordo estabelecido com a Câmara Municipal de Lisboa determina que o encerramento destas três ruas será “apenas até ao dia 31 de dezembro do corrente ano”, referiu o autarca de Santa Maria Maior.

“Terminado este período, far-se-á uma avaliação desta experiência, decidindo-se após isso pela sua manutenção, ou não, como espaço pedonal”, revelou Miguel Coelho.

No âmbito do compromisso assumido para o alargamento do espaço público destinado a esplanadas e a pedonalização, a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior colocou como condição que “todas as esplanadas que venham a ser colocadas terão de fechar impreterivelmente até às 23h”.

Rua pintada de azul causa indignação

A Rua dos Bacalhoeiros foi a primeira rua de Lisboa a ser pintada com uma cor colorida. Neste caso, a escolha da cor – o azul – foi alvo de grandes críticas.

“Qual a finalidade de despejar tinta colorida na rua, por favor? Em que plano e medidas de conservação das mesmas e do centro histórico é que se insere?”, questionou uma internauta nas redes sociais, citada pelo Sol. “Uma verdadeira aberração na destruição da cidade de Lisboa”, lê-se noutro comentário.

Outros ironizaram a situação da Liga de Futebol, comentando que a rua poderá ser uma antecipação a uma eventual vitória do FC Porto.

As críticas levaram o presidente da junta, Miguel Coelho, a emitir um comunicado em que garante que seguiu a proposta cromática que lhe fez a câmara municipal e que, caso as zonas pedonais sejam para manter, virão a ter calçada portuguesa.

“Como forma de evitar a invasão do espaço pedonal por veículos automóveis, foi decidido que, durante esta fase experimental, estas vias fossem pintadas de uma cor alternativa, seguindo a Junta de Freguesia o modelo proposto pela Câmara Municipal”, explicou o autarca de Santa Maria Maior.

Em comunicado, a Junta de Freguesia de Santa Maior disse que todas as vias que, após o período experimental, venham a ser definitivamente consideradas pedonais serão, a partir de 1 de janeiro de 2021, objeto de intervenção de colocação de calçada portuguesa.

Porém, a Rua dos Bacalhoeiros não é a única que vai ser pintada com uma cor alternativa. De acordo com o jornal Público, a medida vai ser replicada noutros locais, como É o caso da Rua Nova da Trindade, no Chiado; da Rua de Belém; da Avenida da Igreja; ou da Rua da Penha de França, no troço junto ao Mercado de Sapadores.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]