Mark Zuckerberg vai ser questionado no Congresso sobre eventuais abusos de posição dominante e sobre a pertinência de leis “antitrust”, juntamente com responsáveis de outros gigantes tecnológicos.
O fundador do Facebook disse que a empresa, “orgulhosamente americana”, não teria tido sucesso sem “leis que encorajam a concorrência e a inovação”.
De acordo com extratos do discurso consultado pela agência France-Presse da audiência de Zuckerberg no Congresso norte-americano, prevista para esta quarta-feira, o fundador do Facebook defende a sua plataforma, acusada tanto pela esquerda como pela direita de se tornar demasiado dominante.
Os responsáveis pelos quatro gigantes tecnológicos (big tech) Google, Amazon, Facebook e Apple (GAFA) vão ser questionados no Congresso, no quadro de um inquérito sobre eventuais abusos de posição dominante e sobre a pertinência de leis antitrust existentes. Além de Zuckerberg, também Sundar Pichai (Alphabet, empresa-mãe da Google), Tim Cook (Apple) e Jeff Bezos (Amazon) serão ouvidos.
No discurso a que a AFP teve acesso, Zuckerberg apela em particular ao patriotismo económico dos eleitos. “Acreditamos em certos valores — democracia, concorrência, inclusão, liberdade de expressão — sobre os quais a economia americana foi construída”, refere, salientando não existirem garantias de que esses valores irão vingar, fazendo uma comparação com o mercado chinês.
“A China, por exemplo, está a construir a sua própria versão da Internet sobre ideias muito diferentes e a exportar essa visão para outros países”, declara.
Mark Zuckerberg já tinha utilizado este argumento numa audição de outubro, sobre o seu projeto de uma moeda digital, perante a Comissão de Serviços Financeiros do Parlamento Europeu. Nessa ocasião, disse também que, na sua opinião, os governos e os reguladores devem “desempenhar um papel mais ativo” na “atualização das regras da Internet” em termos de moderação de conteúdos.
No discurso esta quarta-feira conhecido, o milionário antecipa as críticas previsíveis que provavelmente enfrentará. Muitos democratas e a sociedade civil pronunciaram-se contra esta rede social, que acreditam ser demasiado laxista a lidar com mensagens e vídeos de extrema-direita ou algumas das observações insultuosas do Presidente dos EUA, o republicano Donald Trump.
Os republicanos, por outro lado, sentem-se censurados por plataformas com sede em Silicon Valley, Califórnia, um reduto democrata.
O Facebook está ainda a processar a autoridade europeia da concorrência por pedir demasiados dados, escreve o Observador. A rede social defende que estão a ser pedidos dados muito pessoais. Desde o início da investigação, o Facebook já entregou 1,7 milhões de páginas de 315 mil documentos diferentes à Comissão Europeia.
Os documentos pedidos agora são “predominantemente irrelevantes” e não têm nada a ver com a investigação em curso, defende o conselheiro geral do Facebook, Tim Lamb. “Esses pedidos devem ser analisados pelos tribunais da União Europeia”, lê-se no comunicado.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Estes processos contra estas empresas, já agora responsáveis pela criação de milhões de empregos directos e indirectos no mundo inteiro, são na generalidade absurdos. Na maior parte dos casos resumem-se a "esta empresa é demasiado grande e não podemos permitir isso". Nada como penalizar o sucesso...