Manuel de Almeida / Lusa

O líder do PNR, José Pinto Coelho, tirou o cinto das calças e ameaçou usá-lo contra os opositores num protesto junto à Faculdade de Ciência Sociais e Humanas, da Universidade Nova, em Lisboa, a 21 de Março de 2017.

Viveram-se momentos de muita tensão em frente à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova, em Lisboa, quando a manifestação convocada pelo Partido Nacional Renovador (PNR) foi “abafada” pela contra-manifestação de estudantes, professores e antigos elementos da instituição.

A polícia foi obrigada a intervir para separar os manifestantes e evitar confrontos físicos, mas não conseguiu travar as ofensas, nem as provocações verbais entre elementos do partido de extrema-direita e os estudantes que assumiram um discurso anti-fascista.

O PNR tinha convocado, há cerca de duas semanas, uma manifestação no seguimento do cancelamento da conferência com Jaime Nogueira Pinto, organizada pelo grupo Nova Portugalidade, no passado dia 7 de Março, após pressão da Associação de Estudantes.

A manifestação do PNR em defesa da “liberdade de pensamento, opinião e expressão” e contra o “marxismo cultural”, conforme anunciou o partido de extrema-direita, acusando a Faculdade de censura, foi autorizada pela polícia.

Mas nesta terça-feira, quando os militantes do PNR surgiram à frente das instalações da FCSH, na Avenida de Berna, em Lisboa, depararam-se com uma contra-manifestação de estudantes, ex-estudantes e professores da instituição de ensino.

Foram “duas horas e meia de tensão”, conforme relata o Expresso, realçando que “cerca de duas dezenas e meia a três dezenas de elementos do PNR” se confrontaram com “mais de três centenas” de estudantes. As intervenções dos nacionais-renovadores acabaram, assim, “completamente abafadas pelos gritos e palavras de ordem dos alunos”, relata o semanário.

A Renascença adianta que chegou a haver “confronto físico” e o Observador refere que “um cone de sinalização de estrada”, arremessado pelos estudantes, só não atingiu o líder do PNR, José Pinto Coelho, “porque um dos seus seguranças se coloc[ou] à frente”.

O incidente levou José Pinto Coelho a tirar o cinto das calças e a ameaçar usá-lo contra os opositores, vociferando “mas o que é que estes cabrões querem?!”, cita o Observador.

Foi para me defender, pois começaram a arremessar objectos”, explicou José Pinto Coelho aos jornalistas, que teve que ser segurado pela polícia, conforme cita o Expresso.

O trânsito chegou a estar parado em várias faixas da Avenina de Berna numa manifestação em que se cantou o “Grândola Vila Morena”, pela voz dos estudantes da FCSH, contra o Hino Nacional, entoado pelos militantes do PNR.

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