António Cotrim / Lusa
Manifestação dos lesados do papel comercial do BES, promovida pela Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial, em frente a sede do Novo Banco, em Lisboa
O Novo Banco já tinha ameaçado os lesados do BES com uma possível ação judicial caso continuassem os protestos nas suas instalações. A promessa foi cumprida no início deste mês.
No início deste verão, nomeadamente em maio e depois em junho, a instituição já tinha prometido que ia tomar medidas legais contra o comportamento dos lesados nas suas instalações.
Ana Bela Rodrigues é a primeira cliente constituída arguida no processo em tribunal levado a cabo pelo Novo Banco, revela esta segunda-feira o jornal Sol.
Desempregada e com 46 anos de idade, Ana Bela foi notificada no dia 9 de outubro da respetiva ação judicial e, na quarta-feira passada, foi chamada para depor no posto da GNR da sua área de residência.
A lesada do BES contou ao Sol que foi constituída arguida por “ofensas verbais a três colaboradores do Novo Banco”, estando agora sujeita ao termo de identidade e residência.
De acordo com esta medida de coação, a antiga cliente não pode mudar de residência nem ausentar-se por mais de cinco dias sem comunicar às autoridades.
O Sol teve acesso ao auto de constituição de arguido, o qual mostra que Ana Bela optou pelo silêncio durante o interrogatório feito pela GNR.
“Não respondi porque a ação judicial diz respeito a protestos com centenas de lesados, incluindo emigrantes, à porta do banco e não à minha vigília diária. Não provoquei qualquer incidente, mas como os gestores e funcionários do banco já me conhecem e sabem o meu nome, eu sou o alvo do processo”, explicou.
Ana Bela está há quase cem dias em vigília na sede do Novo Banco, em Lisboa, e contabiliza quase 700 horas em “protesto silencioso”. Porém, garante que a tentativa do Novo Banco para “assustar” os clientes não a demove do seu principal objetivo.
“Voltei para a porta da sede do Novo Banco. Não vou desistir do meu protesto enquanto não me devolverem o meu dinheiro”, afirma.
De acordo com a informação apurada pelo mesmo jornal, um outro lesado do BES, Paulo Campos, é alvo da mesma ação judicial mas ainda não foi notificado.
Os dois terão certamente o apoio da Associação de Lesados e Indignados do Papel Comercial, a qual considera que estas ameaças por parte do Novo Banco não vão ter sucesso.
“Não vamos amedrontar-nos ou abandonar a reivindicação até a situação estar resolvida”, afirma Ricardo Ângelo, presidente da AIEPC.
Aliás, a associação está já a preparar mais uma mobilização, ainda sem data definida. Mas uma coisa parece estar certa: os lesados vão manifestar-se no local da tomada de posse do novo Governo.
ZAP
Esta é uma notícia fantástica, porque mostra a que ponto, as pretensas "pessoas de bem" não olham a meios para defenderem a sua posição, por mais ilegítima que ela seja. Assim, a pessoa Novo Banco lança mão de um expediente ilegítimo para amedrontar e achincalhar, quiçá quebrar, aqueles que foram criminosamente espoliados daquilo que lhes pertencia (cf. nas palavras da arguida: "Não provoquei qualquer incidente, mas como os gestores e funcionários do banco já me conhecem e sabem o meu nome, eu sou o alvo do processo”. Grande expediente, hein?! A situação fez-me recordar um caso que se passou há uns anos: um desastrado assaltante ficou preso quando tentava entrar para assaltar uma residência ou um comercio. Aproveitando a imobilização do assaltante, ou drogadito, o dono aplicou-lhe umas valentes bordoadas no lombo! Quando se viu livre, o assaltante frustrado apresentou queixa contra o que lhe tinha dado uma achega! Neste caso, ao não reembolsarem aqueles que foram burlados pelo BES, também o Novo banco estava a pedi-las. E parece-me que a procissão apenas vem no adro...
Força a todas as vítimas do BES! Não se calem, pois quem cala consente!