PT - Partido dos Trabalhadores / Flickr

Deltan Dallagnol

A operação Lava Jato usou os mesmos métodos de espionagem utilizados por John Edgar Hoover, o temível líder do FBI durante quase 50 anos.

Durante quase 50 anos, John Edgar Hoover liderou o FBI, ficando conhecido por atuar de forma clandestina para sabotar, intimidar e perseguir adversários políticos. Em vários ocasiões, Hoover ignorou a Constituição norte-americana para espiar inimigos da nação, como por exemplo Martin Luther King.

O The Intercept escreve que, no Brasil, a operação Lava Jato atuou de forma semelhante à de Hoover. Clandestinamente, fez escutas ilegais, divulgou conversas de jornalistas críticos da operação e perseguiu adversários políticos.

Esta semana, o procurador-geral da República Augusto Aras começou a abrir a chamada “caixa de segredos” e acusou a operação de investigar 38 mil brasileiros de maneira clandestina.

O primeiro a sair em defesa da operação foi Sérgio Moro, o ex-juiz acusado de estar envolvido nele. O antigo ministro da Justiça de Jair Bolsonaro disse desconhecer “segredos ilícitos no âmbito da Lava Jato”.

“Ao contrário, a Operação sempre foi transparente e teve suas decisões confirmadas pelos tribunais de segunda instância e também pelas Cortes superiores, como STJ e STF”, escreveu ainda numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

Por sua vez, a força-tarefa de procuradores da Lava Jato em Curitiba nega as acusações de espionagem. “É falsa a suposição

de que 38 mil pessoas foram escolhidas pela força-tarefa para serem investigadas. Esse é o número de pessoas físicas e jurídicas mencionadas em Relatórios de Inteligência Financeira encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)”.

No entanto, a reportagem do The Intercept em colaboração com a ‘Folha’, mostra que a Lava Jato conseguiu acesso a vários dados de brasileiros na Receita Federal. Lá, um funcionário repassava informações de maneira informal.

“A independência funcional dos membros do Ministério Público é uma garantia de que o serviço prestado se guiará pelo interesse público, livre da interferência de interesses diversos por mais influentes que sejam”, refutam os procuradores da Lava Jato.

Através do Telegram, a Lava Jato atuava com uma agenda eleitoral, protegia aliados e procurava impedir o regresso do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder.

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