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O Replicador da série de ficção científica Star Trek, que cria objectos ou até uma refeição a partir do puro ar, poderá tornar-se uma realidade nos próximos anos. Os cientistas estão a desenvolver novas tecnologias para transformar a energia pura em massa.

Esta possibilidade que parece apenas ao alcance das histórias de ficção científica ganha força com um projecto Europeu que está a construir o laser mais poderoso de sempre, o denominado Extreme Light Infrastructure (ELI).

A ideia é criar um sistema de laser capaz de gerar raios com um poder de 10 PW (10.000.000.000.000.000 watts), isto é, uma capacidade “10 vezes mais poderosa do que as infraestruturas de laser mais avançadas existentes” actualmente, conforme aponta o site The Conversation.

Os cálculos teóricos feitos pelos cientistas envolvidos indicam que esse laser tão poderoso poderá proporcionar a primeira prova científica de que a energia pode ser transformada em matéria tangível.

Se, depois disto tudo, ainda não percebeu do que estamos a falar, espreite o vídeo seguinte com uma cena da série de televisão “Star Trek Enterprise” que mostra o Replicador em acção.

O ELI em vias de desenvolvimento poderá vir a permitir a criação de uma máquina similar à que tanto jeito dá às personagens de “Star Trek”.

Os cientistas partem da famosa equação E=mc2, o princípio da equivalência da matéria energética de Albert Einstein, que preconiza que a massa, a quantidade de matéria de que o corpo é feita, é só mais uma forma de energia e que, logo, deveria ser possível pegar nalguma dessa massa e convertê-la directamente em energia pura.

Uma equação matemática suportada por diversas experiências científicas e, designadamente, pelo funcionamento da energia nuclear.

Ora, os cientistas acreditam que o reverso também deverá ser possível, isto é, transformar a energia pura em massa.

Para isso, é preciso abordar a percepção que temos do vácuo do ponto de vista da mecânica quântica que analisa esse conceito de uma forma muito diferente do senso comum, considerando que está repleto de partículas minúsculas que existem por períodos de tempo muito curtos, inferiores a milésimos de segundo.

À luz dos princípios da mecânica quântica, essas partículas virtuais são anuladas quando colidem com a correspondente anti-partícula feita de anti-matéria.

Deste modo, enviar um raio laser super-intenso para o vácuo evitaria que essas partículas virtuais se cruzassem com as respectivas anti-partículas e, logo, que não se aniquilassem. Consequentemente, o envio de energia para uma região vazia criaria algum tipo de massa.

É dentro deste cenário científico que os investigadores envolvidos no desenvolvimento do ELI esperam criar um laser suficientemente poderoso que possa intervir atempadamente, a uma velocidade que permita evitar a anulação das tais partículas virtuais.

Depois disso, deverá ser possível criar algo palpável a partir do nada, com um mero clique. É esperar para ver…

ZAP