Um relatório das Nações Unidas (ONU) sugere que o príncipe saudita deveria ser investigado por alegadas implicações na morte do jornalista Jamal Khashoggi por existirem “provas credíveis” do seu envolvimento.

O documento, esta quarta-feira divulgado e citado pelo jornal norte-americano The New York Times, investigou os contornos da morte do repórter, voz crítica do Governo saudita.

A autora do documento, a especialista em direitos humanos Agnes Callamard, afirma que há indícios de que este “crime internacional” contou com a colaboração não só do príncipe saudita, mas também de altos oficiais da Arábia Saudita.

“O jornalista Jamal Khashoggi foi vítima de uma execução deliberada e premeditada, um assassinato extrajudicial pelo qual o Estado da Arábia Saudita é responsável, aos olhos da lei internacional dos Direitos Humanos”, frisou, citada pela agência Reuters.

O documento sugere aos órgãos da ONU e ao Secretário-Geral António Guterres que “exijam” uma investigação criminal adicional. Callamard frisa a “extrema sensibilidade” de considerar a responsabilidade criminal do príncipe herdeiro, bem como de Saud Alqahtani, um conselheiro sénior da corte real saudita que não foi acusado.

“Nenhuma conclusão é feita quanto à culpa” destas duas pessoas, escreveu a especialista, dando conta que a “única conclusão é de que há provas credíveis que merecem mais investigações”.

De acordo com a Reuters, Riad, que recebeu o relatório de 100 páginas antes da sua divulgação ainda não reagiu às acusações. Até então, o reino tem negado todas as acusações de qualquer envolvimento de MBS no crime.

Khashoggi, que escrevia para o diário norte-americano The Washington Post, foi morto a 2 de outubro dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul.

A Turquia afirma que o jornalista foi assassinado por uma equipa de 15 sauditas, e o seu corpo não foi, até agora, encontrado. O seu assassínio mergulhou a Arábia Saudita numa grave crise diplomática e manchou a reputação do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, que é acusado por responsáveis norte-americanos e turcos de ter ordenado a morte do jornalista. Riad imputou este homicídio a elementos “descontrolados”.

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