A partir de junho, a zona da Baixa-Chiado, em Lisboa, vai ser fechada ao trânsito, sendo apenas autorizados a circular os veículos de moradores, lojistas, transportes públicos, motas e carros elétricos.

A medida foi anunciada esta sexta-feira pelo presidente da Câmara de Lisboa. Com esta medida, que estará em discussão pública até meados de março, a Câmara estima que haverá menos 40 mil carros a circular diariamente na zona mais emblemática da capital.

Em alternativa, de acordo com o semanário Expresso, será criado um serviço de autocarros 100% elétricos que farão a ligação entre o Marquês de Pombal e a Praça do Comércio. No total, haverá 20 autocarros por hora – um a cada três minutos, sendo também reforçada a Rede de Madrugada da Carris.

Ao declarações ao Expresso, Fernando Medina explicou que “o objetivo é reduzir a poluição, diminuir o congestionamento de trânsito e melhorar a qualidade de vida e a vivência no espaço público na zona mais emblemática de Lisboa” – cidade que este ano ostenta o galardão “Capital Verde Europeia”.

Medina salientou ainda que a Baixa-Chiado já é a zona mais bem servida de transportes públicos, contando com duas linhas de metro, duas linhas de comboio, duas estações fluviais e dezenas de carreiras de autocarro.

Todos os transportes que não sejam veículos de moradores, lojistas, transportes públicos, motas e carros elétricos serão barrados à entrada por pórticos com reconhecimento de matrículas.

No que diz respeito aos comerciantes, será permitido apenas um automóvel por estabelecimento, com exceção dos veículos de transporte de mercadorias. Os carros 100% elétricos poderão circular, desde que se registem primeiro. Os táxis terão “livre-trânsito”, enquanto que os Uber só terão acesso se forem elétricos.

Os autocarros turísticos comerciais também serão barrados, sendo permitidos apenas os oficiais “hop-on, hop-off” que fazem circuitos turísticos em Lisboa. No caso dos tuk-tuk, só 104 terão licença para circular na Baixa, sorteados entre os cerca de 700 que atualmente existem na cidade.

Algumas ruas vão passar a ser apenas pedonais, como a Rua Garrett ou a Rua Nova do Almada, enquanto noutras o trânsito será fortemente reduzido, com ampliação de passeios e redução de faixas.

A Rua do Ouro ficará apenas com uma faixa para automóveis, ao lado de uma grande ciclovia, que terá ligação à que será criada na Avenida da Liberdade, permitindo ir a pedalar de Telheiras até ao rio sempre em via exclusiva para bicicletas. Na Rua da Prata e no Largo do Chiado só circularão elétricos.

Nos Restauradores será criada uma zona pedonal que vai estender-se até ao cruzamento da Praça da Alegria e da Rua das Pretas, recuperando o conceito de “Passeio Público”, como o que existiu até ao final do século XIX.

As alterações de fundo estendem-se à Avenida da Liberdade, que retomará o sentido normal de trânsito nas laterais e que perderá uma faixa no sentido ascendente. A Avenida perderá também uma grande parte do estacionamento. No total, entre a Avenida da Liberdade e a Baixa vão desaparecer cerca de 500 lugares à superfície.

A Almirante Reis, outra das artérias mais poluídas da cidade, perderá uma faixa de trânsito no sentido descendente, sendo criada uma ciclovia que permitirá ligar o Areeiro ao Martim Moniz.

O Príncipe Real, uma das zonas atualmente mais congestionadas, também será abrangida pelas alterações, deixando de servir de zona de atravessamento dos carros em direção ao rio. Neste caso, o acesso à zona ribeirinha passará a fazer-se no sentido Rato-Estrela-Avenida D. Carlos I.

Os lugares de estacionamento na Baixa serão exclusivamente para moradores. Da mesma forma, o parque de estacionamento subterrâneo dos Restauradores será destinado apenas a residentes e a pessoas com avença mensal.

A Avenida da Ribeira das Naus vai manter o trânsito por se considerar que as vias alternativas ainda não são suficientes.

De acordo com a Câmara, estes condicionamentos de trânsito entrarão em vigor em junho, havendo um mês de “período de adaptação”. As multas só avançarão em julho. Um mês depois, em agosto, começarão a funcionar os pórticos de reconhecimento de matrículas.

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