Tiago Henrique Marques / Lusa

O Ministério Público está a investigar alegados pagamentos sem base legal a dirigentes e acumulação de salários e pensões.

Há cerca de um ano, a Polícia Judiciária fez buscas nas instalações da Ordem dos Contabilistas Credenciados (OCC), no âmbito de uma queixa por suspeitas de “apropriação de valores”.

A denúncia partiu de Vítor Martins, contabilista inscrito na OCC, e deu entrada no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa em maio de 2016. As suspeitas recaem sobre o ex-bastonário Domingues de Azevedo e do atual presidente da Assembleia Geral, o eurodeputado socialista Manuel dos Santos, avança o Observador.

Em causa, estavam pagamentos de certas remunerações aos responsáveis da Ordem e a acumulação de salários com pensões e subvenções vitalícias de políticos, pagas a ex-titulares de cargos públicos e que o Governo de Passos Coelho impediu, em 2014.

No documento entregue ao DIAP, Vítor Martins sustenta que “no exercício e âmbito das funções exercidas” por aqueles dois responsáveis “existiu uma apropriação de valores para os quais não se entende justificativo legal”.

Perante o Ministério Público, o contabilista revelou também a existência de ilegalidades no que diz respeito à acumulação de salários com as subvenções vitalícias de Domingos de Azevedo e de Manuel dos Santos, ambos ex-deputados à Assembleia da República, eleitos pelas listas do PS.

Em causa estaria, assim, a falta de base legal para o pagamento de compensações a responsáveis da OCC e a acumulação ilegal de rendimentos.

Filomena Moreira, que sucedeu a Domingues de Azevedo na liderança da Ordem quando este faleceu, também desconfiou de algumas irregularidades. A bastonária chegou a enviar à Caixa Geral de Aposentações uma lista dos membros remunerados

na Ordem.

Esta decisão levou ao corte de Filomena com os responsáveis da OCC, e levou também à criação de duas listas que vão a votações na próxima quarta-feira.

A Procuradoria-geral da República confirma ao Observador a existência do inquérito, instaurado em agosto do ano passado. O processo “encontra-se em investigação e sem arguidos constituídos”.

Com a aproximação das eleições do sucessor de Filomena Moreira, o clima de controvérsia está instalado na Ordem dos Contabilistas, devido aos salários elevados dos membros dos corpos sociais. De acordo com o jornal online, um bastonário ganha dez mil euros, um vice-presidente ganha 6.100 e os cinco vogais recebem cinco mil euros cada um.

Desde 2013, Rui Rio recebeu 1500 euros brutos mensais como vice-presidente da Assembleia Geral da OCC, totalizando um total de 21 mil euros líquidos por ano.

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