Em risco de “morte iminente” por lesões causadas pelo uso de cigarros eletrónicos, um jovem de 17 anos foi submetido a um duplo transplante de pulmões, no estado norte-americano do Michigan.

Este caso é considerado o primeiro transplante relacionado com o EVALI, nome dado à lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarros eletrónicos, de acordo com o hospital de Detroit.

O paciente estava num estado grave e teria morrido “se não tivesse recebido um transplante de pulmão”, afirmou Hassan Nemeh, médico responsável e diretor cirúrgico do Hospital Henry Ford, enquanto comunicava o procedimento realizado no dia 15 de outubro, de acordo com o CanalTech.

Os membros da família do jovem, que preferiram não ser identificados pelo nome, falaram em comunicado, emitido na terça-feira, sobre os “efeitos horríveis que ameaçam a vida” e pediram aos médicos para que tornassem público o procedimento.

“Dentro de um período muito curto, as nossas vidas mudaram para sempre. [O jovem] passou da vida típica de um atleta perfeitamente saudável para acordar entubado e com dois novos pulmões, enfrentando um processo de recuperação longo e doloroso, enquanto luta para recuperar a sua força e mobilidade, que foi severamente impactada”, disseram os membros da família.

O paciente de Michigan foi internado no dia 5 de outubro em Detroit, com o que parecia ser uma pneumonia. Uma semana depois, precisou da ajuda de aparelhos, uma vez que a sua capacidade respiratória piorou. Depois, foi transferido para o Henry Ford Hospital, gravemente doente e a sofrer danos pulmonares tão graves que foi colocado no topo da lista para um transplante.

Os cigarros eletrónicos já afetaram a saúde de mais de duas mil pessoas e mataram mais de três dúzias, segundo afirma o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA. Na semana passada, o acetato de vitamina E foi identificado como a causa provável das 39 mortes devido à utilização de cigarros eletrónicos nos EUA.

Foram registados 450 casos de doença pulmonar causada potencialmente pelo uso de cigarros eletrónicos em 33 estados norte-americanos. As vítimas começaram por apresentar sintomas como tosse, dor no peito e dificuldade em respirar, e num curto período do tempo a sua saúde deteriorou-se ao ponto de terem de ser hospitalizados. Outros pacientes apresentaram náuseas, vómitos, diarreia, fadiga e perda de peso.

Segundo uma análise preliminar realizada pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, a maioria dos consumidores recorreu a produtos que continham compostos da canábis, incluindo THC (tetraidrocanabinol), substância psicoativa encontrada na canábis.

Os cigarros eletrónicos retirados do mercados são cigarros com sabor, que tem que ver com o número crescente de jovens norte-americanos que utilizam estes cigarros. O estado norte-americano de Massachusetts suspendeu, por um período de cerca de quatro meses, a venda de cigarros eletrónicos. Já os estados do Michigan, Nova Iorque e Rhode Island pretendem restringir a venda de tabaco com sabores para vaporizadores. A cidade de São Francisco anunciou em junho que ia proibir a venda de cigarros eletrónicos em 2020.

A polémica também levou o Governo indiano a decretar a proibição de cigarros eletrónicos no país, seja através da produção, importação ou exportação, transporte, armazenamento e venda. Uma primeira infração é punível com um ano de prisão e/ou multa de 100.000 rupias (1.270 euros), até três anos e/ou 500.000 rúpias (6.300 euros) em caso de reincidência.

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