Uma equipa de jornalistas da RTP foi agredida quando investigava a alegada violação de uma criança, por outro colega, numa escola na zona de Chelas, em Lisboa. O operador de imagem teve que ser hospitalizado com vários ferimentos.
As alegadas agressões a dois jornalistas da RTP, um operador de imagem e um redactor, aconteceram nesta quinta-feira, junto à Escola Básica dos Lóios, na zona de Chelas, na freguesia de Marvila em Lisboa, conforme avança o jornal Público.
Os jornalistas foram “violentamente agredidos”, “especialmente o operador de imagem”, frisa o diário, notando que teve que ser hospitalizado “com vários ferimentos”.
A equipa de reportagem investigava a alegada violação de um menor de 9 anos por outro colega da escola que terá 12 anos. As famílias das duas crianças ter-se-ão reunido, nesta quinta-feira, para falar da alegada agressão sexual.
O jornal refere que “familiares do menino de 12 anos suspeito de violação agrediram o operador de imagem, primeiro com um banco e depois com vários pontapés na cabeça“. Ele terá sido “espancado por, pelo menos, três indivíduos”, conforme adianta a RTP que já anunciou que vai apresentar queixa contra os agressores.
Uma fonte policial adiantou à Lusa, na noite de quinta-feira que, até àquele momento, não havia nenhum detido nem suspeitos, acrescentando que um homem que tinha sido anteriormente detido foi libertado, pois não tinha nada a ver com a ocorrência.
Esta fonte relatou ainda que a polícia está a investigar a “eventual violação” ocorrida entre os alunos menores.
A câmara do operador de imagem terá ficado parcialmente destruída e “familiares da criança de 9 anos foram também agredidos”, frisa o Público.
Entretanto, outra equipa da RTP deslocada para a escola teve que ser escoltada pela PSP para deixar o espaço em segurança.
Trabalhadores da RTP exigem que crime não fique impune
Entretanto, a Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP anunciou que “vai exigir junto do Conselho de Administração (CA) que a RTP se constitua assistente no processo-crime
, que decerto se seguirá e que proceda depois ao respectivo processo cível”.“Esperamos que sejam apuradas responsabilidades até às últimas consequências. Até ao fim. Se o CA não o fizer, fá-lo-emos nós, os trabalhadores”, salienta a CT num comunicado divulgado pela Lusa.
A Comissão lamenta que quinta-feira “não foi infelizmente um dia anormal”. “Quer verbalmente, quer fisicamente repetem-se demasiadas vezes as agressões a trabalhadores da RTP“, queixa-se a CT. “Seja por questões políticas ou pela demagogia com que os assuntos da RTP são tratados, hoje, sair à rua num carro com a marca RTP é um risco“, acrescenta a estrutura.
“Em Portugal, claques desportivas, juventudes partidárias, presidente de clubes, autarcas, idiotas e criminosos escolhem sistematicamente os trabalhadores desta empresa para descarregar as suas frustrações, e para nós, já chega. Estamos fartos“, realça a CT, alertando para que este crime “não fique impune”.
Anteriormente, já o Sindicato de Jornalistas (SJ) tinha condenado “veementemente” este episódio de violência, também num comunicado enviado à Lusa.
“Esta situação é absolutamente inadmissível num Estado onde o direito à informação é constitucionalmente garantido”, destaca o SJ, frisando que “é absolutamente reprovável que dois cidadãos sejam agredidos no exercício da sua profissão, mais ainda quando a sua missão profissional é informar imparcialmente um determinado acontecimento”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Nesta localidade de marginais o que se esperava? Este país está a saque. Cada vez há menos respeito pelo próximo.