Mário Cruz / Lusa

A ativista do Agir, Joana Amaral Dias, reforça o uso do corpo como instrumento político

Joana Amaral Dias ganhou relevância política nos últimos dias, depois de ter divulgado a auditoria realizada à Caixa Geral de Depósitos. Numa grande entrevista, ela fala do “regabofe” no banco público e conta como foi apupada quando deixou a Assembleia da República como deputada do Bloco de Esquerda.

Em grande entrevista ao jornal i, publicada na versão impressa desta sexta-feira, Joana Amaral Dias, ex-deputada do Bloco de Esquerda, conta que foi apupada “como se fosse ´a gaja gira vai-se embora` quando deixou a Assembleia da República (AR). Foi “ridículo” e “patético”, conta, falando de uma “ovação digna do 8.º D” quando o Presidente da AR anunciou a sua saída do Parlamento.

Numa altura em que saltou para a ribalta política, depois de ter divulgado o relatório da auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD) que aponta actos de gestão de danosa, Joana Amaral Dias situa a sua decisão no âmbito da “acção política directa” do movimento a que pertence, o Agir.

Notando que o Agir tem como uma das prioridades o “combate à corrupção”, a actual comentadora política considera que o que se passou na CGD representa “um crime contra o país, contra a nação”.

“A Caixa sempre foi um poço sem fundo“, que “serviu como braço forte do poder político para basicamente comprar aliados, para arquitectar uma perigosa rede clientelar que contribui para que Portugal seja campeão da corrupção”, diz Joana Amaral Dias.

“Todos sabiam o que se passava, uns melhores do que outros”, acrescenta, concluindo que “a CGD demonstra que não existe democracia em Portugal“.

Sobre o relatório da auditoria, refere que “passou pelas mãos de muitas pessoas”, que não o divulgaram, e garante que a versão final “não diferia em nada substantivo” da versão preliminar que foi noticiada.

Joana Amaral Dias deixa ainda o alerta de que o Montepio é “uma bomba que está prontinha para nos explodir na cara”.

“Já recebi várias ameaças de morte”

Na entrevista ao jornal i, Joana Amaral Dias conta como sempre recebeu ameaças de morte, “desde a extrema-direita, até ameaças isoladas”.

Até na sua profissão como psicóloga clínica isso lhe sucedeu, com pacientes que a “ameaçaram de morte, que desmaiaram e que ficaram agressivos”.

Na longa conversa, a ex-deputada conta como aos 14 anos, saltava do seu quarto, “o equivalente a um segundo andar”, pela janela “para sair à noite” e como ser mãe aos 22 anos “foi maravilhoso”.

Sobre a experiência como deputada, refere que chegou ao Parlamento por ter “a experiência muito desenvolvida nas áreas da exclusão social”, por ter “facilidade na parte oratória” e por ser “combativa em debate”. Mas também por ser bonita, admite, notando que “tudo tem influência”.

Depois de ter dado que falar por ter posado nua em revistas, ela reforça a ideia que já defendeu antes, de que “o corpo é um instrumento político”, porque “a mente também é corpo”.

“Da esquerda à direita, ficam sempre muito melindrados quando vêem o corpo da mulher”, lamenta ainda, salientando que “essa ideia do controlo do corpo das mulheres” é “absolutamente ridícula”. “Fiz aquilo que achei que devia fazer e estou de consciência tranquila”, constata.

Voltando ao Parlamento, Joana Amaral Dias queixa-se de ter encontrado um “ambiente extremamente conservador, com ar viciado e muito pouco saudável“. Mas, apesar disso, frisa que luta pelo “direito de lá voltar” com o Agir.

Como principal batalha do Agir, Joana Amaral Dias coloca, além da já mencionada corrupção, a “reforma do sistema político”, nomeadamente para implementar a “avaliação” e ranking dos deputados” e o “registo biométrico no Parlamento”.

A comentadora política também defende a “limitação dos mandatos dos deputados“, notando que “é venenoso” e “não é aceitável que estejam lá deputados sentados há 40 anos”. A “alternância é um dos princípios fundamentais para a existência da democracia”, conclui.

Na entrevista ao i, Joana Amaral Dias revela ainda que Paulo Campos a convidou para ser deputada pelo PS, quando ainda estava ligada ao Bloco de Esquerda, dizendo-lhe que, “se não quisesse ficar na Assembleia da República por muito tempo, poderia ir dirigir um instituto como o Instituto Português da Juventude ou da Droga e Toxicodependência”. “Recusei de uma forma gentil e educada”, refere.

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