Rodrigo Antunes / EPA
A candidata eleita pelo Livre à Assembleia da República, Joacine Katar Moreira
O IX Congresso para eleger os novos órgãos do Livre começa, este sábado, em Lisboa. A única deputada do partido na Assembleia da República já disse que não vai renunciar ao cargo.
À chegada ao IX Congresso do Livre, onde será votada uma resolução da Assembleia para lhe retirar a confiança política, Joacine Katar Moreira foi clara quando disse que não pretende renunciar ao cargo de deputada.
“Renunciar ao mandato? Está fora de questão”, disse a deputada única do partido, citada pelo Observador, acrescentando que não se sente “responsável” pelo mal-estar existente.
A declaração da deputada única do partido deita por terra a ideia de que Carlos Teixeira, número dois do Livre por Lisboa, lhe pudesse suceder, como tinha sido avançado ontem pelo Jornal de Notícias.
Numa intervenção de pouco mais de 20 minutos, a deputada acabou por se exaltar, acusando a assembleia de “mentiras, manipulação e omissão” na resolução apresentada.
“A proposta apresentada pela assembleia fere a minha honra e a minha dignidade, está cheio de inverdades, de algumas mentiras e de manipulação e de omissão”, acusou.
A deputada mostrou ainda um documento com todas as iniciativas que ela e o seu gabinete levaram a cabo até agora na Assembleia da República, declarando que os trabalhos desenvolvidos ao longo de dois meses de mandato foram sendo “desvalorizados sistematicamente e manipulados”.
“Nunca me foi retirada a confiança política, aliás nunca me foi retirada confiança na minha existência”, sublinhou, acrescentando que “esta não é a cultura do partido, ao menos teoricamente”.
“Elegeram uma mulher negra que gagueja e que deu jeito para a subvenção”, acusou a deputada, gritando no final da intervenção que “isto é ilegal”. “Tenham vergonha, mentira absoluta!”, disse de forma exaltada, mesmo quando já tinha saído do púlpito.
Entretanto, o jornal Público adianta que o Congresso adiou a decisão sobre a proposta da retirada da confiança política à deputada, que iria ser votada este sábado. Desta forma, serão já os novos órgãos, que vão ser eleitos amanhã, a fechar este dossier.
“Esta rutura pode ser o o suicídio do Livre”
À chegada ao Congresso, Ricardo Sá Fernandes, membro do atual Conselho de Jurisdição do Livre, disse aos jornalistas que ainda acredita que há forma de chegar a um entendimento e, segundo a TSF, vai votar contra a resolução da Assembleia.
“Uma decisão destas tem de ser feita de outra maneira, com um escrutínio mais apertado, com direito do contraditório, disse o advogado à rádio, acrescentando que “ninguém sai bem deste processo”.
Sá Fernandes teme que esta rutura possa ser “o suicídio do Livre”, cita o Observador, e mostrou-se “totalmente disponível” para fazer a ponte entre a deputada e o Grupo de Contacto para que possam ser ultrapassados estes “problemas procedimentais”.
“Sou do partido do Rui Tavares, do Rafael, do Pedro Mendonça, da Joacine Katar Moreira e só me sinto bem se for deles todos”, acrescentou, apelando a um consenso.
Na sua intervenção no Congresso, Rui Tavares, fundador do partido, também disse acreditar que os próximos órgãos, nomeadamente a assembleia, irão concluir o processo de forma “justa”, “transparente” e mais “humana”.
“O Livre prefere ser fiel aos seus princípios do que manter quaisquer cargos políticos”, afirmou o fundador, relembrando ainda os pilares ecológicos e europeus do partido e incentivando ao debate “com transparência e frontalidade“.
Se a resolução for aprovada, Joacine passa a ser deputada independente na Assembleia da República, ficando o Livre, que se estreou no ano passado no Parlamento, novamente sem representação parlamentar.
No Congresso deste fim-de-semana, serão ainda eleitos os novos órgãos nacionais do partido para os próximos dois anos e para os quais não há qualquer candidatura de Joacine Katar Moreira.
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Bravo! Bravíssimo! Mulher de fibra. Está a defender um tacho? Talvez, mas está a cima de tudo a defender a sua honra e acho muito bem. É exatamente pelo facto do tacho ser bom que alguma parte da direção do Livre arquitetou este golpe. O tacho é bom de mais para ficar para "ela" a quem "só deve ser destinado os trabalhos de limpeza". Agora, os golpistas ficaram definitivamente desmascarados. A única dúvida que agora resta é sobre o momento em que o golpe começou a ser forjado, eventualmente desde que ela foi qualificada nas primárias. A ambição excessiva de meia dúzia de oportunistas, armados em "gente de esquerda" vai levar à capitulação do Livre que, em abono da verdade, não faz falta nenhuma à democracia portuguesa. A moção que devia agora ser votada é a da extinção do Livre e do seu grupelho de golpistas disfarçados de esquerda.