António Cotrim / Lusa

O secretário-geral comunista afastou esta terça-feira os “agoirentos do costume”, após o pior resultado de sempre em eleições europeias da CDU, e reafirmou “confiança” para as legislativas de outubro.

“Desenganem-se os agoirentos do costume. Desenganem-se os que apostaram tudo contra o PCP e a CDU porque sabem que é em nós que reside a força capaz de fazer avançar os direitos dos trabalhadores e do povo. O PCP parte para as legislativas com confiança e determinação”, afirmou Jerónimo de Sousa na sede comunista, em Lisboa.

O líder comunista, questionado insistentemente sobre o facto de a posição conjunta com o PS ter vindo a prejudicar eleitoralmente comunistas e ecologistas, reiterou o “acerto da posição” adotada em 2015, embora admitindo que o Governo minoritário do PS tenha “capitalizado” votos com a atual situação política e correlação de forças no parlamento.

Apesar de admitir que o PS pode ter levado alguns dos votos do PCP, Jerónimo de Sousa não está arrependido da “geringonça”. Aliás, disse mesmo estar orgulhoso.

“Não estamos nem arrependidos. Voltaríamos a fazer o mesmo para que prevalecessem direitos que eram aspirações profundas dos trabalhadores e do povo”, disse o comunista, citado pelo jornal Público. “É uma experiência que nos orgulha”, apontou depois na conferência de imprensa após a reunião do Comité Central do PCP.

Jerónimo de Sousa não descarta a possibilidade a um novo acordo à esquerda, mas deixa um aviso ao PS:  “O que é preciso é avançar e não andar para trás”.

O secretário geral do PCP apelou ao voto nas legislativas de outubro, afirmando que este é o caminho “para garantir que no futuro próximo não se volte ao caminho de retrocesso político, económico e social”, afirmou, citado pelo jornal i.

O mesmo diário observa que o PCP desceu em todas as eleições – autárquicas, presidenciais ou europeias – desde que entrou na “geringonça” governativa, em 2015.  Nas votações de domingo para o Parlamento Europeu, os comunistas caíram dos 12,6% para os 6,8, registando o pior resultado de sempre em europeias. Foi com isto em mente que Jerónimo afirmou que esta votação, “particularmente negativa”, é um “sinal de alerta”.

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