Baleeiros japoneses deixaram o porto de Kushiro, no norte do Japão, esta segunda-feira, para recomeçar a pesca comercial de baleias, depois de mais de três décadas de interrupção.

A saída de cinco barcos da ilha de Hokkaido acontece seis meses depois de o Governo nipónico ter anunciado que ia deixar a Comissão Baleeira Internacional (CBI), depois de ter levantado uma moratória em vigor sobre a pesca moratória da baleia.

“Acreditamos que as baleias são recursos marinhos como peixes e que podem ser usadas com base em critérios científicos”, disse um funcionário do Ministério da Agricultura, Florestas e Pescas.

A quota de captura até ao final deste ano está fixada em 227 baleias, menos do que as 333 que o Japão caçou na Antártida nos últimos anos, ao abrigo de um programa científico. O país compromete-se a não caçar em águas antárticas ou no hemisfério sul. A pesca será limitada às águas territoriais e à zona económica exclusiva do Japão.

O arquipélago asiático junta-se assim à Islândia e Noruega, únicos países que praticam a caça de baleia para fins comerciais, e abre caminho a duras críticas da comunidade internacional e das organizações defensoras dos direitos dos animais.

De acordo com a Euronews, esta permissão já está a ter impacto nos restaurantes nipónicos, com os chefs dos estabelecimentos a “afiar as facas e a adaptar as cartas”.

Por sua vez, a rádio e televisão pública islandesa Ríkisútvarpið (RÚV) avança que, este verão, pela primeira vez desde 2003, os pescadores não vão capturar baleias. A decisão estará relacionada com a dificuldade de exportar a carne deste animal precisamente para o Japão.

O Instituto de Pesquisa Marinha da Islândia também não prevê receber cetáceos este verão para fins científicos. Os pescadores dos baleeiros deverão assim focar-se, até setembro, na apanha de ouriços-do-mar. A caça à baleia no país nórdico deverá ser retomada na próxima primavera.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa” ]