Fernando Frazão / Agencia Brasil

Jair Bolsonaro

O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito Presidente do Brasil, com 55,5% dos votos quando estão 94,67% das secções de voto apuradas, que lhe asseguram matematicamente a vitória.

A projecção do Instituto Ibope dá a vitória a Jair Bolsonaro com 56% dos votos contra 44% de Fernando Haddad. O ex-militar tem 55,2 milhões de votos contra 44,1 milhões de votos.

Jair Messias Bolsonaro, nascido a 21 de março de 1955, é um militar da reserva e político brasileiro, filiado no Partido Social Liberal (PSL). É deputado federal desde 1991, estando actualmente no seu sétimo mandato, eleito pelo Partido Progressista (PP).

O seu irmão Renato Bolsonaro e três dos seus filhos são também políticos: Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro pelo PSC, Flávio Bolsonaro, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSL e agora recém eleito Senador no estado, e Eduardo Bolsonaro, deputado federal de São Paulo também pelo PSL.

O ex-militar formou-se na Academia Militar em 1977, e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo do Exército Brasileiro.

Tornou-se conhecido do público em 1986, quando escreveu um artigo para a revista Veja criticando os salários de oficiais militares, após o que foi preso durante quinze dias, apesar de ter recebido cartas de apoio de colegas do exército. Foi absolvido dois anos mais tarde.

Bolsonaro passou na reserva em 1988, com o posto de capitão, para concorrer à Câmara Municipal do Rio de Janeiro nesse ano. Foi eleito vereador pelo Partido Democrata Cristão, partido que hoje está extinto.

Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro. Foi o candidato mais votado, com 464 mil votos, tendo sido reeleito seis vezes. Durante os seus 27 anos na Câmara dos Deputados, Bolsonaro ficou conhecido por ser uma personalidade controversa, devido às suas visões políticas populistas e de extrema-direita.

A sua campanha presidencial foi lançada em agosto de 2018, com o general aposentado Hamilton Mourão como seu vice-presidente.

A 7 de outubro, Bolsonaro ficou em primeiro lugar na primeira volta das eleições, com o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, em segundo lugar.

Os dois bateram-se em duelo nesta segunda volta, que culminou este domingo com a vitória de Bolsonaro, que quebra uma sequência de 4 vitórias consecutivas do PT nas eleições presidenciais, após 2 vitórias de Lula da Silva e duas vitórias de Dilma Rousseff.

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Jair Messias Bolsonaro foi eleito com 56% dos votos

Bolsonaro ganha em Lisboa com 64,4% dos votos

Jair Bolsonaro venceu a votação nas 27 assembleias de voto em Lisboa, conquistando 64,4% dos 6.948 votos válidos, segundo os resultados oficiais. De acordo com os dados afixados na Faculdade de Direito, onde decorreu a votação em Lisboa, Bolsonaro  obteve 4.475 votos contra 2.473 votos (35,5%) do candidato do PT.

Também no Porto foi Bolsonaro a ganhar, com 66,5% dos votos válidos, confirmou à Lusa Alexandre Alvim, cônsul-adjunto do Brasil no Porto. Dos 4.700 eleitores que foram às urnas no Porto, 3.145 votaram em Bolsonaro, adiantou o mesmo responsável diplomático.

Bolsonaro promete “democracia e liberdade”

O discurso de vitória de Jair Bolsonaro foi muito particular. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, disse o agora Presidente, numa referência à Bíblia e a Deus. Além disso, garantiu ainda que o seu “Governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”.

Numa declaração à imprensa à porta da sua casa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o Presidente do Brasil começou por afirmar que a sua eleição é “uma missão de Deus”. No seu discurso, Bolsonaro frisou que “a liberdade é princípio fundamental“, referindo-se à liberdade “de andar nas ruas, de empreender, política e religiosa, de informar e ter opinião, de fazer escolhas e ser respeitado por elas”.

“Como defensor da liberdade, vou guiar um Governo que defenda e proteja os direitos do cidadão, que cumpre os seus deveres e respeite as leis. Elas são para todos nós. Assim será o nosso Governo, constitucional e democrático”, garantiu Jair Bolsonaro.

Portugal já cumprimentou o novo Presidente

O Presidente da República, Marcelo rebelo de Sousa, enviou este domingo, pouco depois das 22h00, uma “mensagem de felicitações” ao Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, na qual se referiu aos “laços de fraternidade” bilaterais

e à “significativa comunidade” portuguesa neste país.

Marcelo “enviou uma mensagem de felicitações ao Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, na qual fez referência aos laços de fraternidade que unem Portugal e o Brasil”, lê-se na nota publicada no site da Presidência da República.

Segundo a nota, o chefe de Estado fez também referência “à significativa comunidade de portugueses e luso-descendentes residentes no Brasil” e “à cada vez mais importante comunidade brasileira” em Portugal.

António Costa, primeiro-ministro português, também cumprimentou o presidente eleito, salientando a relação bilateral “intemporal” entre os dois países, assente numa língua comum e “fortes laços históricos“.

“O Governo português cumprimenta o Presidente eleito do Brasil, país com o qual mantemos uma relação bilateral intemporal, assente numa língua comum, em fortes laços históricos, económicos e culturais, e na presença, em ambas as sociedades, de comunidades dinâmicas e plenamente integradas”, afirmou o primeiro-ministro.

BE pede vigilância da comunidade internacional

A deputada do Bloco Joana Mortágua apelou para a “vigilância total” da comunidade internacional perante uma possível “degradação democrática” no Brasil após as eleições de domingo, que deram a vitória ao candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro.

“É uma vitoria que tem que ser respeitada, mas que nos deixa, enquanto democratas, muito tristes porque diz muita coisa sobre a fragilidade das democracias, que julgávamos estarem sólidas e conquistadas”, disse Mortágua, em declarações à Lusa.

A deputada bloquista lembrou a “vida inteira” de posições antidemocráticas de Bolsonaro para sublinhar a apreensão “relativamente ao que poderá vir a ser uma degradação dos direitos democráticos no Brasil”. Por isso, sustentou, a “vigilância tem que ser total“.

“As forças democráticas do Brasil têm de participar, não abdicar de participar de um regime que ainda é democrático. Não atirar a toalha ao chão, continuar a construir um futuro governo do campo democrático e continuar todos os dias a lutar contra as ideias” de Jair Bolsonaro, sustentou.

Joana Mortágua sublinhou, no mesmo sentido, a importância de um papel vigilante da comunidade internacional, particularmente de Portugal. “Partilhamos comunidades muito populosas e temos de estar naturalmente muito atentos”, disse.

O Brasil vai iniciar um “período de incerteza”, considerou Mortágua, adiantando que é preciso ter “esperança de que a maioria dos brasileiros que votou em Jair Bolsonaro, o tenha feito para rejeitar o PT e não por acreditar nas ideias” dele.

 

Trump ligou a Bolsonaro

Também o presidente norte-americano, Donald Trump, felicitou Jair Bolsonaro, congratulando-o pela vitória nas eleições presidenciais e manifestando a sua vontade de “trabalhar lado a lado” com ele.

Segundo o jornal Público, ambos os líderes concordaram “em trabalhar lado a lado para melhorar a vida das pessoas dos Estados Unidos e do Brasil e, enquanto líderes regionais, das pessoas da América”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Foi um contacto bastante amigável. Queremo-nos aproximar de vários países do mundo, sem viés ideológico”, disse Bolsonaro numa transmissão em direto no Facebook, dizendo que Trump lhe desejou sorte e também que recebeu outras chamas de líderes internacionais, como os Presidentes do Chile, Sebástian Piñera, e do Paraguai, Mario Benítez.

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