O animal foi abatido depois de ter tentado fugir de uma cerimónia, que incluía a tocha olímpica, na cidade de Manaus. O episódio está a gerar revolta entre grupos que lutam pelos direitos dos animais.

Um jaguar presente numa cerimónia da tocha olímpica realizada esta segunda-feira, na cidade brasileira de Manaus, foi morto depois de ter tentado escapar aos seus tratadores.

Segundo o The Guardian, o animal, chamado Juma, foi abatido num jardim zoológico junto a um centro de treinos militares por um soldado.

O homem disparou sobre o felino, mesmo depois de já ter sido sedado. Segundo o comunicado do Comando Militar da Amazónia, mesmo sob essas condições o animal avançou sobre o soldado.

“Como procedimento de segurança, e visando proteger a integridade física do militar e da equipa de tratadores, foi realizado um tiro de pistola no animal, que veio a falecer”, disse o CMA, citado pela BBC.

“Cometemos um erro terrível ao permitir que a tocha olímpica, um símbolo de paz e unidade, fosse exibida ao lado de um animal acorrentado”, afirmou o comité organizador dos Jogos Olímpicos.

“Esta imagem vai contra as nossas crenças e valores”, disse o comité, garantindo ainda que “não vão acontecer mais incidentes deste género no Rio 2016”.

Recorde-se que a mascote da equipa olímpica brasileira é precisamente um jaguar amarelo chamado Jinga.

O incidente desta segunda-feira está a gerar bastante revolta entre grupos que defendem os direitos dos animais, que questionam o porquê do animal ter estado presente na cerimónia.

“Quando é que as pessoas (e as instituições) vão parar com esta necessidade doentia de querer mostrar poder e controlo ao utilizarem animais selvagens?”, perguntou o Animal Freedom Union através do Facebook.

Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), a utilização de Juma no evento foi ilegal, já que não tinha sido pedida uma autorização. A organização diz que vai investigar o caso.

O jaguar é uma das espécies em risco no Brasil, estando já extinta em países sul-americanos como o Uruguai e El Salvador, de acordo com a International Union for Conservation of Nature.

Jaguares usados como mascotes

Segundo a BBC, o exército brasileiro mantém vários jaguares em cativeiro na zona da Amazónia, bem como animais de outras espécies.

Os felinos, tal como Juma, são usados como mascotes dos batalhões e passam até por várias sessões de treino. Em Manaus, por exemplo, os felinos são uma presença frequente em desfiles militares.

Esta é uma prática condenada tanto por biólogos como por veterinários. Em 2014, durante a gravação de um documentário em Manaus, militares mostraram Juma, a mascote do centro, à BBC Brasil.

Na altura, explicaram que o animal tinha sido resgatado com ferimentos depois da sua mãe ter sido morta. Foi levada para o centro e ali cresceu sob os cuidados dos tratadores.

Para o biólogo João Paulo Castro, o comportamento do animal depois da cerimónia pode ter sido motivado pelo stress.

“Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essa, com barulho e muitas pessoas à volta”, disse à BBC.

“Muitas vezes, o jaguar já vive numa situação precária e stressante dentro do cativeiro, o que é agravado num cenário de maior agitação”, acrescenta.

FM, ZAP