Manuel de Almeida / Lusa

O juiz Ivo Rosa

O juiz Ivo Rosa considerou que não havia razões para investigar a Polícia Judiciária Militar no caso de Tancos. A decisão do magistrado levou a um atraso de cinco meses na investigação.

O juiz de instrução criminal Ivo Rosa achou que não havia razões para a Polícia Judiciária (PJ) investigar a Polícia Judiciária Militar (PJM) no caso de Tancos. O magistrado não queria autorizar a investigação das listas de tráfego das antenas de telemóvel de outubro de 2017.

De acordo com o pedido do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, estes eram dados “essenciais para o prosseguimento das investigações, nomeadamente à descoberta dos factos e responsabilização dos seus autores”.

Na altura, a chamada anónima sobre o paradeiro do armamento de Tancos, feita para o piquete da PJM, foi feita do Montijo. Caso a Polícia Judiciária tivesse tido acesso mais cedo às listas de tráfego das antenas de telemóvel, o processo teria sido resolvido mais rapidamente.

O jornal Público avança esta segunda-feira que Ivo Rosa considerou que era ilegal

analisar o tráfego de todas as pessoas do Montijo, Golegã, Entroncamento e Torres Novas — conforme pedido pelo Ministério Público.

“Além do alegado mal-estar entre PJ e PJM, dos autos [do inquérito] não consta que os telefones do piquete tenham sido utilizados por algum suspeito relacionado com os factos em questão”, defendeu o juiz de instrução criminal Ivo Rosa.

O Ministério Público viria a recorrer da decisão do juiz, considerando “absolutamente nuclear para a investigação” descobrir quem tinha feito a chamada anónima.

O Tribunal da Relação de Lisboa acabou por contrariar a sua decisão, levando a que estes registos fossem investigados. Contudo, devido à burocracia, foram perdidos cinco meses até finalmente conseguirem aceder à informação.

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