Alessandro di Marco / EPA

A atleta italiana Daisy Osakue, operada ao olho esquerdo depois de um ataque com ovos

A atleta italiana teve de ser operada ao olho esquerdo, devido a uma lesão na córnea, depois de ter sido atingida com ovos num alegado ataque com motivações racistas.

De acordo com a BBC, Daisy Osakue foi atingida por ovos atirados de um carro em movimento, na passada segunda-feira, em Moncalieri, Turim, quando ia a caminho de casa.

Na sequência do ataque, a atleta italiana de 22 anos, cujos pais são naturais da Nigéria, sofreu uma lesão na córnea do olho esquerdo e teve de ser operada. Osakue acredita que o ataque teve motivações racistas.

“Não queriam atacar-me enquanto Daisy. Quiseram atingir-me enquanto jovem negra. É uma área frequentada por prostitutas e eu fui confundida com uma”, explica a atleta, acrescentando que havia outras pessoas na rua mas que acabou por ser a única escolhida.

Foi um ataque estúpido e gratuito. Um ataque racista. Gostaria de falar com essas pessoas e perceber porque fizeram tal coisa. (…) Já tinha sido vítima de outros episódios racistas, mas apenas verbais. Quando a palavra passa aos atos significa que se ultrapassou outro muro”, afirma a jovem, citada pelo jornal espanhol ABC.

Osakue, que é considerada uma promessa no lançamento do disco, esteve a treinar nos EUA durante dez meses e decidiu regressar a Itália para encontrar “um país diferente”. “É óbvio que o clima de violência generalizada que vejo me assusta”, declarou.

Entretanto, a polícia de Turim afastou a possibilidade de o ataque ter motivações racistas, esclarecendo que o mesmo veículo já tinha sido sinalizado por estar envolvido noutros ataques semelhantes.

A atleta já deixou o hospital mas a operação pode pôr em risco a sua participação nos Europeus de Atletismo, que começam a 7 de agosto em Berlim, na Alemanha. “Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para estar presente”, afirmou aos jornalistas.

Este caso está a ampliar o debate sobre a política anti-imigração levada a cabo pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, que já recusou o argumento de “emergência racista”.

“Não digam parvoíces. Lembro que, nos últimos três dias, a polícia deteve 95 imigrantes, enquanto outros 414 foram denunciados”, disse o vice-presidente do Governo, num comunicado citado pelo diário espanhol. “Todas as agressões devem ser punidas e condenadas, mas certamente que a imigração em massa permitida pela esquerda nos últimos anos não ajudou”, concluiu.

Por sua vez, o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, adotou uma postura diferente e telefonou à jovem atleta quando esta deixou o hospital, notando que o país não pode baixar a guarda neste tipo de ataques.

O governante regressou há dias de uma visita aos EUA, onde foi recebido pelo Presidente Donald Trump na Casa Branca, que elogiou a política migratória do Executivo formado pela Liga e pelo Movimento 5 Estrelas.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”” ]