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O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, durante a reunião do Eurogrupo

Alguns dos principais colunistas dos mais influentes jornais internacionais estão a mostrar-se muito críticos do acordo alcançado esta manhã entre a Grécia e os credores, apoiando o tópico #ThisIsACoup que tem dominado a rede social Twitter.

“Esta lista de exigências do eurogrupo é uma loucura. A hashtag dominante #ThisIsACoup está exatamente certa. Isto vai para além da rispidez, para ser puramente vingativo, uma destruição completa da soberania nacional, e sem esperança de alívio. É, presumivelmente, feito para ser uma proposta que a Grécia não pode aceitar; mas ao sê-lo, é uma traição grotesca de tudo o que o projeto europeu supostamente devia representar”, diz Paul Krugman.

Na sua coluna diária no The New York Times, o Nobel da Economia de 2008 acrescenta que o projeto europeu, que diz ter elogiado a apoiado, “recebeu um golpe terrível, talvez fatal” e sublinha: “Independentemente do que se possa pensar sobre o Syriza, ou a Grécia, não foram os gregos que o desferiram”.

Em outro dos mais influentes jornais internacionais, o Financial Times, Wolfgang Munchau põe o dedo na ferida. Diz o comentador: “já ouvi coisas muito malucas nos meus dias, e esta é uma delas. Um Estado membro a forçar a expulsão de outro. Este foi o verdadeiro golpe durante o fim de semana: não apenas a mudança de regime na Grécia, mas também a mudança de regime na zona euro”, escreve o opinion-maker do jornal britânico.

Em vários jornais internacionais, as críticas às imposições feitas pelos líderes da zona euro ao Governo da Grécia merecem repúdio, sendo o tópico #ThisIsACoup um dos dominantes às primeiras horas da manhã, isto é, um dos tópicos mais comentados nesta rede social.

OS comentadores fazem questão de separar o Syriza e a Grécia, por um lado, da iniciativa política dos últimos dias, considerando que “ao forçar Alexis Tsipras a uma humilhante derrota, os credores da Grécia fizeram bem mais que forçar uma mudança de regime na Grécia ou colocar em perigo as suas relações com a zona euro”.

Para Munchau, o que aconteceu foi mais do que isso: “Eles destruíram a zona euro tal como a conhecemos e demoliram a ideia de uma união monetária como um passo para uma união política democrática”.

Paul Krugman concorda, salientando que “o que aprendemos nas últimas semanas é que ser membro da zona euro significa que os credores podem destruir a tua economia se não te portares bem”.

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A directora-geral do FMI, Christine Lagarde, com o ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos

O acordo, anunciado precisamente no Twitter pelo primeiro-ministro belga, Charles Michel, com a simples palavra Acordo, mostra a importância das redes sociais, principalmente o Twitter, que também foi usado pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para anunciar o cancelamento de uma reunião dos líderes no sábado.

Tusk, aliás, foi dos primeiros a confirmar que o acordo entre a Grécia e os credores tinha sido alcançado, resultando num acordo, aprovado por unanimidade, para oferecer um terceiro plano de ajuda à Grécia, após uma maratona negocial.

“A cimeira da zona euro alcançou um acordo por unanimidade. Está tudo pronto para um programa de ajuda para a Grécia por via do Mecanismo Europeu de Estabilidade, com importantes reformas e um apoio financeiro”, disse Tusk, através da sua conta na rede social Twitter, esta manhã, após cerca de 17 horas de negociações.

Os líderes alcançaram um acordo sobre um terceiro “resgate” à Grécia, depois de um ultimato a Atenas para aceitar duras reformas económicas sob pena de se tornar o primeiro país a abandonar a moeda única.

“A decisão dá à Grécia a possibilidade de evitar consequências sociais e políticas de um resultado negativo”, afirmou Tusk, em conferência de imprensa, no final da maratona negocial, advertindo, porém, que “há condições estritas para serem cumpridas”.

“A Europa escolheu um roteiro. Contudo, tudo depende agora da sua aplicação”, comentou o primeiro-ministro da Estónia, Taavi Roivas, na sua conta na rede social Twitter.

O acordo vem dar luz verde política para o lançamento das negociações sobre o terceiro programa de ajuda à Grécia para os próximo três anos, com um montante estimado entre 82 e 86 mil milhões de euros.

/Lusa