Haitham Imad / EPA

Funeral de bebé de oito meses que morreu na Faixa de Gaza, nos protestos no âmbito da mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém

A intervenção israelita junto à fronteira com a Faixa de Gaza, que fez cerca de 60 mortos, foi o dia mais negro na zona desde 2014. A ONU acusa o Estado israelita de “uso excessivo de força” e de “matança intencional”.

A violência voltou à fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza no dia em que os EUA mudaram a sua Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, a cidade que é disputada por israelitas e palestinianos. 60 pessoas morreram naquele que foi o dia mais negro em Gaza, desde a operação militar israelita “Margen Protector“, de 2014, em que morreram mais de dois mil palestinianos em 50 dias.

A ONU acusa Israel de “matar de forma indiscriminada”, segundo declarações do porta-voz do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, citadas pelo El Mundo.

“Parece que qualquer um pode ser assassinado ou ferido; mulheres, crianças, jornalistas, pessoal de primeiros socorros, desde que se aproximem a mais de 700 metros da cerca. Dispararam contra um duplo amputado; que ameaça é um amputado?”, acrescenta.

O enviado especial da ONU ao território palestiniano, Michael Lynk, alerta, por seu turno, que “este flagrante uso excessivo de força por Israel tem que acabar, e tem que haver verdadeira responsabilidade para os que, no comando militar e político, ordenaram ou permitiram que esta força fosse usada, mais uma vez, na Faixa de Gaza”, de acordo com declarações divulgadas numa nota da ONU.

Lynk acusa Israel de ter levado a cabo uma “matança intencional”, numa “grave violação da Convenção de Genebra” que constitui “um crime de guerra”.

“A força letal contra manifestantes é proibida, a não ser que seja estritamente inevitável no caso de uma ameaça iminente para a vida ou de sérias lesões”, reforça o elemento da ONU, acusando Israel de ter um total desrespeito pelos direitos e liberdades de expressão e de manifestação dos palestinianos.

“Não parece haver nenhuma evidência persuasiva de que o uso de papagaios inflamáveis, o arremesso de pedras ou de cocktails Molotov, ou outras acções alegadamente tomadas por um pequeno número de manifestantes, representassem uma ameaça mortal que justificasse a força que foi usada pelos militares israelitas”, acrescenta.

Bebé de 8 meses entre os 60 mortos

O total de palestinianos mortos a tiro pelo exército israelita, nos protestos ligados à transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém, situa-se, nesta altura, nos 60, segundo dados do Ministério da Saúde palestiniano.

Destes 60 mortos, oito são menores e há entre eles um bebé de oito meses que morreu devido à “asfixia produzida pelos gases lacrimogéneos lançados pelo Exército israelita”, refere o El Mundo.

Foram ainda registados 2.771 feridos, metade deles atingidos por balas ou metralha, entre os quais estão também 225 menores.

Os números são confirmados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que destaca que os feridos nos confrontos já “ultrapassaram, de longe”, a capacidade de atendimento dos centros de saúde locais.

Os hospitais estão sobrelotados e debatem-se com a falta de medicamentos e de equipamentos, situação agravada pelos sucessivos cortes na energia eléctrica.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]