Manuel Araújo / Lusa

Isabel dos Santos

Depois de ver os seus bens arrestados, Isabel dos Santos escreveu uma carta de página e meia a João Lourenço pedindo negociações explícitas.

Isabel dos Santos pediu ao Presidente de Angola para negociar, pouco depois de os seus bens e contas terem sido arrestados pela Justiça angolana. A empresária terá escrito, segundo o Observador, uma carta de uma página e meia a João Lourenço, na qual fez um pedido explícito de negociações.

Num dos parágrafos, a mulher mais rica de África fundamenta o pedido com o estado da economia nacional e a responsabilidade social, propondo uma plataforma segura de cooperação. Ou seja, a abertura de conversações que poderiam levar à devolução dos 1,1 mil milhões de dólares que Isabel dos Santos deve, alegadamente, ao Estado angolano, em troca do levantamento do arresto.

Apesar do esforço, a missiva não teve o efeito esperado e João Lourenço deu essa garantia a 3 de fevereiro, numa entrevista concedida à Deutsche Welle. “Nós gostaríamos de deixar aqui garantias muito claras de que não se está a negociar. Mais do que isso, não se vai negociar, na medida em que houve tempo, houve oportunidade de o fazer. Portanto, as pessoas envolvidas neste tipo de atos de corrupção tiveram seis meses de período de graça para devolverem os recursos que indevidamente retiraram do país”, garantiu.

As declarações do Presidente angolano surgiram três dias depois de o Expresso ter avançado que as negociações estavam em curso, citando o procurador-geral da República. No entanto, Hélder Pitta Grós apressou-se a desmentir a notícia.

No entanto, quando questionada sobre se João Lourenço equacionou o caminho da negociação, fontes contactadas pelo Observador dividem-se: há quem admita que essa possibilidade esteve em cima da mesa e, em sentido contrário, há quem assegure que Lourenço excluiu à partida essa hipótese.

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