IRA / Facebook

IRA – Intervenção e Resgate de Animais

Para se resguardarem perante a lei e para evitarem que mais pessoas lhes peçam para salvar cães, gatos ou até cavalos em risco não mostram a cara e não dizem o nome. São apenas os “Irados”, fazem parte do grupo de Intervenção e Resgate de Animais e já fizeram dezenas de resgates de animais na zona da Grande Lisboa.

O grupo IRA (Intervenção e Resgate Animal) existe há um ano e, nas redes sociais, têm mais de 60 mil seguidores. Os seus membros fazem questão de manter o anonimato e nunca mostrar a cara ou dizer o nome.

São nove homens em Lisboa e cinco na zona Oeste. O que fazem é ilegal e eles sabem-no, mas acreditam que é por um bem maior. O fundador do IRA afirma que “as ações justificam os fins que pretendemos: o bem-estar animal. Um país onde existe todo o tipo de menosprezo pelos direitos dos animais não merece nada menos do que um grupo com este tipo de atitude”.

E é pelo bem-estar animal que lutam, quase literalmente, todas as noites. Têm em média 35 anos, conta o Observador, muitos são casados, com filhos e têm as mais variadas profissões: seguranças privados, gerentes de ginásios, polícias, contabilistas e técnicos administrativos.

IRA / Facebook

IRA – Intervenção e Resgate Animal

O grupo conta que é o amor pelos animais que os faz sair de casa quase todas as noites, quando recebem denúncias de maus tratos a animais na página do facebook.

O trabalho da associação é simples: verificam a denúncia, tratam do resgate do animal, supervisionam os adotados nas novas casas e acompanham alguns casos sociais, como o da septuagenária da zona do Intendente que há anos acumula lixo e gatos em dois apartamentos arrendados, num problema flagrante de saúde pública.

Invadem propriedade privada e resgatam o animal, mas garantem que, pela causa, não se importam de transgredir. Asseguram também que não têm medo do que vão encontrar do outro lado de cada porta que derrubam.

“Medo? Aquele mamute tem 120 kg, o outro deve ter uns 100 kg, outros dois elementos que não estão cá hoje também são enormes”, justifica o fundador, de dedo apontado para o grupo de amigos.

“Tenho alguns conhecimentos que me permitem entrar em confrontos e sair deles quase ileso com alguma facilidade. Conto com o apoio de outras pessoas igualmente experientes na área dos desportos de combate… Claro que é sempre um risco

, pode haver armas de fogo do outro lado, por exemplo, mas se formos a pensar nos riscos não saímos de casa. É uma coisa controlada, arriscamos, mas garantimos a nossa segurança, até agora nunca ninguém ficou ferido. É aí que traço a linha, no dia em que algum membro se ferir com gravidade, acabo com isto”.

O grupo recusa donativos: tudo o que querem é ração e areia para os animais que resgatam. O único financiamento que o grupo tem vem da venda de camisolas, t-shirts e autocolantes com o logo IRA.

“Vendemos umas 50 sweats por mês, cada uma a 25 euros. Já existem inúmeras associações em Portugal que precisam dos donativos para sobreviver. Acho que se não têm meios financeiros para a atividade que exercem, não deviam exercê-la. Depois, há pessoas que andam nisto pelo enriquecimento ilícito, simulam resgates, inventam animais e pedem donativos. Também queremos combater as pessoas que estão nisto pelo dinheiro e não pelos animais”, justifica.

A forma como o fazem? Exposição pública, com nome e dados pessoais, números de telefone incluídos, partilhados na internet. Como fazem, aliás, com as pessoas que apanham, efetivamente ou por interposta denúncia, a maltratar animais.

O próximo passo do grupo é alargar a zona de intervenção: transformar um autocarro em clínica ambulatória de esterilização, sair da zona de influência da IRA e percorrer o país todo a ajudar animais.

O que têm feito ao longo da última semana, que passaram a recolher alimentos, medicamentos, mantas e afins para os animais afetados pelos incêndios, é uma espécie de estágio. Já em junho, aquando do fogo de Pedrógão Grande, tinham feito a mesma coisa.

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